Empresa cearense Compex assume o Cais Pesqueiro de Fortaleza
Segundo a Companhia Docas do Ceará, serão investidos R$ 10 milhões na estrutura de 11.963 m², e a expectativa é de que se instale uma indústria pesqueira no local.
O Ministério da Infraestrutura, por meio da Companhia Docas do Ceará (CDC), assinou ontem, segunda-feira, 20, o contrato de concessão do cais pesqueiro do Porto de Fortaleza (CE) com a Compex Indústria e Comércio de Pesca e Exportação Ltda. – empresa vencedora do pregão eletrônico aberto pela CDC no último mês de março.
Trata-se do segundo ativo de infraestrutura repassado à iniciativa privada em 2020.
Segundo a CDC, serão investidos R$ 10 milhões na estrutura de 11.963 m², e a expectativa é de que se instale uma indústria pesqueira no local.
No total, a Compex arcará com R$ 3,4 milhões em outorgas ao longo dos 20 anos de contrato.
A expectativa é de que as obras da indústria de beneficiamento da Compex sejam iniciadas no segundo semestre deste ano e que as operações se iniciem em março de 2021.
Entre as intervenções que serão feitas, estão a demolição do prédio de três andares existente na área, melhorias no cercamento do terreno, além da construção da indústria de pescado, com câmaras rigoríficas e locais para armazenagem e processamento de peixes vermelhos e lagostas.
Todo o pescado beneficiado será destinado à exportação, em contêineres, para cerca de dez países, com destaque para Estados Unidos, Austrália e China.
A nova indústria deverá gerar cerca de 300 empregos diretos e indiretos.
De acordo com o ministro da infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, “o nosso programa de concessões segue o seu cronograma e o interesse do investidor privado em nossos ativos continua. Este é o primeiro leilão que fazemos para este tipo de empreendimento e um bom indicativo da atratividade de nossa carteira para o pós-crise”.
“A concessão é importante para a CDC porque deixamos de ter uma área ociosa dentro do terminal, que só gerava custos e, agora, passaremos a ter receita. Essa é a primeira área rentável dentro do Porto de Fortaleza”, afirma a diretora-presidente, Mayhara Chaves.
Segundo ela, a companhia passa a ter mais disponibilidade para focar na sua atividade-fim e viabiliza o crescimento da atividade pesqueira via iniciativa privada.
A concessão da área deve gerar impactos da ordem de 15% nas exportações de peixes e de lagostas realizadas pelo estado do Ceará.
Anualmente, cerca de 800 toneladas dos produtos pescados no cais são exportadas pela Compex.
A expectativa é de que a empresa aumente seu faturamento atual em 15% - somente o cais pesqueiro deverá gerar movimentação de até R$ 20 milhões por ano.
De acordo com o gerente-comercial da empresa, Leonardo Marinho, o local favorável potencializará o mercado pesqueiro nos próximos anos.
“Como o cais está na orla, conseguiremos controlar a qualidade da nossa matéria-prima e exportar produtos mais frescos e, consequentemente, mais atrativos”, explica.
Ele reitera que o acesso direto ao mar permite maior rastreabilidade da carga, o que se torna positivo para investidores. “Em cinco anos, quem não rastrear seus produtos, vai perder mercado”, enfatiza Marinho.
A Compex é uma empresa cearense com 25 anos de atviade. O grupo atua no litoral norte do Ceará e tem uma indústria de pescado em Aracaú (CE).
Além da expertise no ramo de peixes vermelhos e de lagosta, a empresa espera criar um laboratório para comercialização de novos produtos, como o atum.
Outra forma de expandir a atuação é a exportação de produtos vivos.