Cirino aos jovens da AJE: "Não esmoreçam! Trabalhem!"

Fernando Cirino Gurgel contou sua vida, disse o que fez, faz e fará e deu conselhos à juventude

Escrito por
Egídio Serpa egidio.serpa@svm.com.br
(Atualizado às 08:55)
Legenda: Fernando Cirino, ex-presidente da Fiec e grade empresários da área imobiliária, fala para os jovens associados da AJE Fortaleza
Foto: Egídio Serpa / SVM
Um oferecimento de:

Juntou-se ontem, quinta-feira, 20, au grand complet, na hora do almoço, a Associação dos Jovens Empresários de Fortaleza (AJE) para ouvir o sênior empresário Fernando Cirino Gurgel, cujo currículo é de fazer inveja. Sob os ouvidos atentos da juventude e da maturidade dos líderes da indústria cearense – como Ricardo Cavalcante, presidente da Fiec, Beto Studart, Chico Esteves, Edgard Gadelha e Joaquim Caracas, presentes também, – o convidado atendeu 100% à expectativa dos que lotaram uma das salas EXCLUSIVAS do restaurante Vasto. Contou tudo, escondeu nada.

Cirino começou narrando sua história de quedas e ascensões e, usando o Google Maps, mostrou o que se passou na urbanização da Grande Fortaleza, o que se está passando e o que se passará nos próximos anos. Tudo apontando para a zona das praias de Aquiraz, entre o Porto das Dunas e a Prainha, onde ele fez e segue fazendo, há vários anos, investimentos na aquisição de imóveis. 

Fernando Cirino disse que começou criando galinhas no quintal da casa dos pais. Depois, trocou as aves pelos porcos, cuja criação estava indo muito bem, o plantel de suínos já havia chegado a 60 cabeças, mas ele foi admoestado pelo pai, o saudoso Célio de Castro Gurgel, que logo lhe explicou com a voz mansa, como orienta o bom senso, o que estava acontecendo:  

"Há algo errado aqui, o quintal é meu, a despesa da limpeza do quintal é minha, a comida dos porcos também sai aqui de casa, mas todo o lucro é seu. Tá certo isso?" O filho logo entendeu, pela clara mensagem paterna, que teria de construir seu próprio futuro, de escrever a sua própria história.   

Aí vieram várias tentativas de empreender, algumas das quais naufragaram, e isto serviu para aguçar sua sensibilidade, procurado entender as diferenças entre o bom e o mau negócio. E seu melhor negócio foi a Durametal, uma metalúrgica que produzia, entre outras coisas, rodas e tambores de freio para automotores (caminhões, ônibus e carros de passeio). Produzia-os e os vendia para montadoras de São Paulo e até da Europa. Um negócio maravilhoso que chamou a atenção de seus concorrentes estrangeiros, que a compraram por um preço irrecusável. 

Com o dinheiro da venda da Durametal, Fernando Cirino foi à luta – seguindo as pegadas do seu amigo Beto Studart, que vendeu a Agripec aos australianos e multiplicou o produto da venda a tal ponto que o transformou no que é hoje, um dos maiores incorporadores imobiliários do Ceará e um dos gigantes de sua construção civil, além de um ás do mercado financeiro.  

Cirino investiu, primeiro, na compra de terrenos na Chapada do Apodi, arrendando-os a empresários do setor de geração de energias renováveis; depois, comprou terrenos perto do Parque da Paz, mas logo os vendeu ao descobrir que quebraria pela proximidade (considerou-se muito jovem para empreender na vizinhança daquele campo santo). E seguiu ampliando seu portfólio imobiliário, ao qual acrescentou boas áreas na geografia do Eusébio, nas quais foram construídos um condomínio residencial horizontal de luxo, o Ibiza, um shopping center, o Colégio Farias Brito e um supermercado São Luiz. Na mesma área, ele tem terrenos prontos para futuros investimentos.  

Mas, neste momento, Cirino foca o lado Oeste da Avenida de dupla pista que liga o Porto das Dunas à Prainha, em Aquiraz.  Será ali que, na sua visão empresarial, "estará o melhor endereço da Grande Fortaleza": 30 metros acima do nível do mar, com vista total para o oceano e a 500 metros da praia. Em breve, ele anunciará o que pretende implantar na área. 

"Que conselho você pode transmitir para os jovens empresários que vieram aqui para ouvi-lo? – perguntou o anfitrião e coordenador-geral da AJE Fortaleza, João Pedro de Castro. Cirino respondeu nos seguintes termos: 

"Não esmoreçam diante da primeira dificuldade, nem diante da segunda e da terceira. Elas sempre existirão. Mas procurem vencê-las com o trabalho. Digo para vocês, jovens, que me sinto em férias quando estou a trabalhar, pois é o trabalho que nos dignifica e nos faz prosperar. E digo mais: mantenham-se em família, uma vez que é a família a base tudo. E neste particular eu falo por experiência própria."