Ceará abastece de feno fazendas pecuárias do Nordeste
No Perímetro Irrigado Tabuleiros de Russas, a Fazenda Flor da Serra planta e colhe 350 toneladas mensais de feno de capim massai
Para os que ainda duvidam de que o melhor do Ceará é o cearense, eis mais uma prova: em uma área de 115 hectares no Perímetro Irrigado de Tabuleiros de Russas, no Baixo Jaguaribe, a Fazenda Flor da Serra, empresa do agropecuarista Luiz Girão, fundador da Betânia, está a produzir 375 toneladas mensais de feno de capim massai, que alimentam rebanhos bovinos de leite e corte, equinos, caprinos e ovinos deste e de outros estados do Nordeste. A área cultivada será multiplicada por quatro nos próximos dois anos, como informa David Girão, diretor executivo da empresa. Eis a razão pela qual, mesmo nos períodos de estio, como agora, a produção cearense de leite bovino, em vez de reduzir-se, cresce.
Utilizando máquinas e equipamentos importados da Alemanha, que fazem a colheita mecanizada do feno, enrolando-o em bolas que pesam 250 quilos cada uma, a Flor da Serra fornece seu produto a grandes, médias e pequenas fazendas de pecuária das regiões do Jaguaribe e do Sertão Central do Ceará e dos estados de Sergipe, Rio Grande do Norte e Piauí. Detalhe: os Girão, pai e filho, revelam que a demanda está crescendo na velocidade do xaxado, e por este motivo ampliarão a área cultivada.
Beto Patrício, um conhecido e respeitado médio criador de gado leiteiro na zona rural de Quixeramobim, disse à coluna, como se transmitisse uma mensagem aos seus pequenos colegas pecuaristas, que o feno cearense produzido pela Flor da Serra é de muito boa qualidade, “mas neste ano essa qualidade chegou à perfeição, e eu posso dizer isto porque estou vendo o resultado no meu rebanho, que aumentou a produção com essa dieta”.
Por que produzir feno? David Girão, que conduz o dia a dia da Fazenda Flor da Serra, responde:
“O Grande gargalo da produção de leite e corte na região Nordeste sempre foi e continua sendo o volumoso (a fibra). A silagem, por ter apenas 30% de matéria seca, não justifica ser comercializada em distancias maiores que 100 km. O feno entra exatamente nessa brecha. Como trabalhamos com 88% a 90% de matéria seca, isto nos permite transportar nosso feno por distâncias mais longas, inclusive aproveitando fretes de retorno, já que essa produção é a seco e pode ser transportada em baús e em quase todo tipo de carroceria. Assim, o feno acaba sendo um capim fresco, desidratado, supersimples de manejar, e de fácil inclusão nas dietas, principalmente de animais em crescimento e em vacas com produção entre 10 e 15 litros. E, também, para animais de corte na fase de engorda.”
David Girão adianta outra informação:
“Ampliaremos as áreas, também, com capim tifton, que é um capim de temperatura temperada, e com melhor teor de proteína e qualidade de fibra, sendo muito usado em equinos e vacas de alta produção, como uma fonte de fibra rica.”
Ele lista as principais virtudes técnicas do feno: reduz muito o custo da dieta; é de fácil armazenamento e logística; tem insignificante perda operacional; permite o fornecimento estratégico de volumoso no período de estiagem; é uma fibra fisicamente efetiva para ruminantes; favorece a ruminação e salivação do animal; contribui para a estabilidade do ambiente ruminal; pode auxiliar na redução do risco de acidose, quando corretamente balanceado; e favorece a dinâmica e a passagem dos alimentos.
Semanalmente, seis carretas carregadas de bolas de feno, cada uma pesando 250 quilos, saem do Tabuleiros de Russas, transportando o produto para fazendas cearenses em Russas, Quixeré, Limoeiro do Norte, Quixeré, Alto Santo, Tabuleiro do Norte, Morada Nova, Parambu, Quixeramobim, Mossoró no Rio Grande do Norte), Nossa Senhora da Glória, em Sergipe, e Piauí.
A Flor da Serra desenvolve a primeira fase de um projeto 100% destinado ao seu rebanho bovino leiteiro confinado no Sistema de Compost, na Chapada do Apodi. Com vacas de alta qualidade genética, sua produção diária de leite aproxima-se dos 30 mil litros. A área irrigada no Apodi é de 500 hectares, mais do que suficiente para suprir sua própria demanda; o excedente da produção de silagem vai para o mercado que pede mais feno.
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