Análise: título do Ceará é coroação do trabalho realizado fora de campo

Conquista de título histórico faz Ceará casar o bom trabalho administrativo, que já vem há anos, com resultado esportivo em campo, que era cobrado pela torcida

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Legenda: Ceará foi campeão invicto da Copa do Nordeste de forma incontestável
Foto: Felipe Santos/Cearasc.com

O Ceará é um clube que, hoje, é nacionalmente reconhecido pela gestão responsável, equilibrada e sólida, que tornou o clube um dos mais saneados do País, sendo o menos endividado entre os 20 participantes da Série A do Brasileiro, que paga salários em dia e honrando com os compromissos assumidos. Isso ninguém nunca questionou. Mas faltava o resultado esportivo.

O desempenho em campo foi motivo de muitas críticas de torcedores e imprensa nos últimos dois anos. Embora tenha se mantido na Série A neste período - com dificuldades, diga-se - desde abril de 2018 (quando foi Bicampeão Cearense) o Vovô não conquistava outro título, enquanto o rival Fortaleza acumulou sucessos esportivos.

Na parte administrativa, financeira e contábil, o Ceará vem nadando de braçadas há anos. Em 2020, registrou o 5º superávit seguido (e o maior da história), sendo o único clube do G-7 do Nordeste com cinco anos seguidos de superávit, preservou todos os empregos e não demitiu nenhum funcionário durante a pandemia, além de se manter estável na crise.

Era preciso casar a boa administração fora de campo com bons resultados dentro das quatro linhas. Era preciso dar uma resposta no futebol, que é o carro-chefe do clube.

Para 2020, uma reformulação completa no Departamento de Futebol. Logo no primeiro ano, o diretor Eduardo Arruda, o executivo Jorge Macêdo e o gerente Sérgio Dimas contribuíram bastante e tiraram o foco e a responsabilidade totalmente do presidente Robinson de Castro - que ainda exerce protagonismo, mas não está mais tão exposto. O restante da diretoria, que também sofreu críticas pesadas, também exerceu papel essencial para dar suporte nos diversos setores que o clube vem crescendo.

O investimento não foi somente no background. Em campo, o Alvinegro montou o elenco mais caro - e badalado - de sua história. Ter jogadores como Fernando Prass, Klaus, Charles, Bruno Pacheco, Vina e Rafael Sóbis, por exemplo, fez toda a diferença. Inclusive investindo alto para adquirir direitos econômicos de alguns deles.

Com o comando de Guto Ferreira, o time deu liga. Foi bicampeão de forma incontestável com um título inédito e irretocável, garantindo confiança para a Série A.

É a premiação do trabalho feito fora de campo. O resultado pode ter demorado um pouco mais do que os torcedores queriam, mas veio de forma melhor que eles imaginavam.

Os alvinegros têm motivos para comemorar o título, e mais ainda para acreditar que, pelo que o clube tem feito na parte administrativa, o futuro pode reservar ainda mais conquistas.

Sobre Robinson de Castro, presidente que divide opiniões, uma coisa é fato. Goste você, ou não, é ele o personagem determinante para que o clube esteja onde está hoje.



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