Metade do ano passou: veja 5 passos para reorganizar sua vida financeira
Chegamos ao meio do ano e aquela promessa feita em janeiro — controlar os gastos, quitar dívidas ou começar uma reserva — talvez ainda esteja apenas no papel.
A sensação de atraso pode gerar culpa, mas, em finanças, esperar pelo próximo ano costuma ser mais caro do que começar de forma imperfeita hoje. A resposta é: sim, ainda dá tempo.
Seis meses são suficientes para mudar hábitos, reduzir desperdícios e terminar o ano em uma situação melhor do que a atual.
Pesquisa da Serasa sobre as metas financeiras dos brasileiros mostrou que apenas quatro em cada dez pessoas revisitaram os planos definidos no início do ano. O levantamento também identificou que 49% gastaram mais no primeiro semestre do que no mesmo período do ano anterior.
Apesar disso, 57% continuavam otimistas em relação aos meses seguintes.
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Os dados mostram que o otimismo é importante, mas precisa ser acompanhado de atitude, organização e método. Para quem ainda não começou, alguns passos podem ajudar.
1. Conheça a sua realidade financeira
O primeiro passo não é cortar todos os gastos, mas entender exatamente para onde o dinheiro está indo. Durante 30 dias, registre todas as entradas e saídas, inclusive aquelas despesas pequenas que parecem irrelevantes.
Cafés, aplicativos de transporte, entregas de comida e compras rápidas podem representar uma parcela significativa do orçamento quando somados ao longo do mês.
Depois, separe as despesas em três grupos:
- Essenciais;
- Ajustáveis;
- Adiáveis.
Moradia, alimentação, transporte e medicamentos normalmente são despesas essenciais. Assinaturas pouco utilizadas, compras por impulso e parte dos gastos com lazer podem oferecer maior espaço para revisão.
Um orçamento só funciona quando reflete a vida real. Planejamentos excessivamente rígidos costumam ser abandonados rapidamente.
2. Defina uma prioridade
Depois de identificar a situação financeira, escolha o principal objetivo para o restante do ano. Pode ser quitar uma dívida, sair do cheque especial, controlar o cartão de crédito ou começar uma reserva.
Quem possui dívidas caras deve concentrar esforços na renegociação e na quitação. Dados da Serasa mostram que o Brasil possui mais de 82 milhões de consumidores inadimplentes. Entre as dívidas mais frequentes estão aquelas relacionadas a bancos, cartões de crédito e contas de serviços básicos.
Tentar resolver todos os problemas ao mesmo tempo pode gerar frustração. É mais eficiente definir uma prioridade, estabelecer um valor mensal e acompanhar a evolução.
3. Reduza os gastos que não entregam valor
Organizar a vida financeira não significa eliminar todo o lazer. Significa avaliar se o dinheiro está sendo utilizado de acordo com as prioridades da família.
É importante revisar assinaturas, tarifas bancárias, serviços contratados, compras recorrentes e despesas que se mantêm apenas por hábito. Pequenas economias mensais podem ser direcionadas para a quitação de dívidas ou para a formação de uma reserva.
O corte deve começar pelo desperdício, e não necessariamente por aquilo que proporciona bem-estar.
4. Comece uma reserva financeira
Não é necessário esperar sobrar muito dinheiro para começar. Pesquisa da Serasa em parceria com o Dr.consulta apontou que apenas 16% dos brasileiros conseguem manter uma reserva para despesas médicas inesperadas.
Começar com R$ 20, R$ 50 ou R$ 100 por mês pode parecer pouco, mas ajuda a criar o hábito. A regularidade é mais importante do que o valor inicial.
Sempre que possível, programe uma transferência automática para o dia em que a renda for recebida. Assim, a reserva deixa de depender apenas do dinheiro que eventualmente sobrar no final do mês.
5. Prepare-se para as despesas do segundo semestre
Ainda haverá férias, presentes, matrículas, impostos, seguros e compromissos de início de ano. Muitas dessas despesas são previsíveis e, portanto, podem ser planejadas.
Faça uma lista dos gastos esperados até janeiro, estime os valores e divida o total pelo número de meses restantes. Uma despesa de R$ 1.200, por exemplo, pode se tornar uma reserva mensal de R$ 200 durante seis meses.
Planejar com antecedência evita parcelamentos longos, juros e o uso do limite do cartão.
Além do impacto no bolso, o descontrole financeiro também afeta a qualidade de vida. Em pesquisa da Serasa realizada com o Instituto Opinion Box, 84% dos entrevistados afirmaram que problemas financeiros já prejudicaram sua saúde mental.
Organizar o orçamento, portanto, não significa apenas pagar contas. Também representa reduzir ansiedade, insegurança e conflitos familiares.
O desafio dos próximos 30 dias
O desafio é simples: durante os próximos 30 dias, anote todos os gastos, elimine pelo menos uma despesa que não entrega valor, renegocie uma dívida ou compromisso caro e transfira uma pequena quantia para uma reserva.
Ao final do período, compare os números e observe o resultado. Organização financeira não começa apenas em janeiro, na segunda-feira ou quando a renda aumentar. Começa quando decidimos olhar para os números sem medo.
O ano está pela metade. Isso também significa que ainda existe outra metade inteira para fazer diferente.
Pensem nisso! Até a próxima. Ana Alves- @anima.consult