"O caixa é rei": a nova estratégia do Ceará para superar déficit de R$ 14 milhões durante a pandemia

Ceará muda divisão de receitas e admite chance de vender talentos da base para superar crise financeira

Robinson de Castro posicionado na frente de uma loja da marca própria Vozão
Legenda: Robinson de Castro coordena uma política responsável de investimento no Ceará
Foto: arquivo / SVM

"O caixa é rei". A frase faz parte da nova metodologia financeira do Ceará na pandemia de Covid-19. Com a queda de receitas, a diretoria mudou a distribuição interna e definiu que cada departamento será responsável por buscar as próprias finanças. O motivo: um déficit estimado em R$ 14 milhões.

O número foi obtido pelo clube em levantamento com projeção orçamentária prevista a partir do dia 10 de março. No cálculo há eventos prováveis, como a disputa da final do Campeonato Cearense, e demais fontes de renda que não foram obtidas. No balanço final, o time opera com 35% do esperado para o ano.

Assim, o Vovô mudou a própria política de investimento e antecipou uma série de ações previstas para 2021 após reunião de adequação do planejamento. E um dos pontos escolhidos foi a comercialização do uniforme 'Nação Alvinegra' mesmo sem peças em estoque. Panorama similar ao incremento e desconto de planos para o sócio-torcedor.

Apesar de não adotado, o setor de categorias de base do clube recebeu permissão para negociar atletas. "Eu jamais venderia uma pepita de ouro da base antes de maturá-la, mas nesse momento ela vale muito. Tem que ser focado no caixa porque, para mim, é aquilo que precisamos para sobreviver", explica Robinson.

As medidas se enquadram no aspecto de exceção da gestão. São tomadas para subverter um eventual colapso financeiro e ganham mérito com o trabalho administrativo ao longo das temporadas na Série A do Brasileiro. Dentre as provas, o Vovô tem a menor dívida da elite nacional, próxima de R$ 14,3 mi, e a melhor relação dívida/receita (0,15)  - quanto menor o índice, mais equilíbrio fiscal.

Ao longo do ano, é esperada diminuição no preço ofertado para produtos e serviços do clube (um dos pontos é o valor anual do camarote) e também maior interação com eventos para a torcida. “Em uma live, através das interações, o clube promove para alavancar mais receita. É diferente de quando são pagas pelo patrocinador”, aponta João Paulo, diretor financeiro do clube.

A expectativa é que padrões da nova estratégia também sejam adotados para a próxima temporada. Na crise, o Ceará se reinventa, amplia relação com o torcedor e pode sair com a marca fortalecida no âmbito esportivo.