O seu dinheiro está no banco certo?
Dona Francisca é diarista no Pirambu e, há dois anos, abriu conta num banco digital que pagava um pouco mais que os outros. Foi juntando ali, mês a mês, o dinheiro da reforma da casa. Nunca perguntou quem era o dono do banco nem o que acontece se ele quebrar. Quase ninguém pergunta.
Nesta semana, milhões de paraguaios descobriram a resposta do pior jeito. Na terça-feira (3), o Banco Central do Paraguai interveio no Ueno Bank, um dos maiores bancos digitais do país, com cerca de 2,9 milhões de clientes.
O motivo: o índice de solvência, que mede se o banco tem capital suficiente para honrar o que deve, caiu abaixo da metade do mínimo exigido. De um dia para o outro, o aplicativo saiu do ar, os cartões pararam de funcionar e as agências fecharam.
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Não foi só gente comum. O instituto de previdência paraguaio tinha cerca de US$ 355 milhões aplicados no banco, e uns 32 mil aposentados recebiam o benefício por lá. Para completar, o presidente do Banco Central renunciou. Antes de assumir o cargo, ele presidia justamente a empresa que deveria fiscalizar.
Pode parecer problema de país vizinho. Não é. Aqui no Brasil, o caso do Banco Master já mostrou que banco também quebra, e que taxa muito acima da média costuma ser o preço do risco, não um presente.
A boa notícia é que existe proteção, e ela tem regras claras. O Fundo Garantidor de Créditos, o FGC, cobre até R$ 250 mil por CPF em cada instituição ou conglomerado financeiro, com limite total de R$ 1 milhão a cada quatro anos. Vale para conta-corrente, poupança, CDB, LCI e LCA. Ficam de fora fundos de investimento e ações, que seguem outras regras, e o Tesouro Direto, cuja garantia é o próprio governo federal.
O que dona Francisca, e você, pode fazer a partir de hoje:
- Respeite o limite do FGC: Se o seu patrimônio passa de R$ 250 mil, divida entre bancos de conglomerados diferentes.
- Desconfie de taxa fora da curva: Se um CDB paga muito mais que a média do mercado, pergunte por quê antes de aplicar.
- Saiba onde está cada real: Anote banco, produto, vencimento e garantia. Parece simples, mas pouca gente consegue responder isso de cabeça.
- Guarde a reserva de emergência em lugar sólido: Tesouro Selic ou CDB de liquidez diária em banco grande, para não depender de uma única instituição na hora em que mais precisar.
Um último recado: muita gente acha que abrir conta no exterior já é proteção. O Paraguai é exterior, e olha o que aconteceu. Proteger patrimônio não é tirar dinheiro do país, é entender o risco de cada lugar onde ele está.
Dinheiro guardado sem informação é dinheiro torcendo para dar certo. E torcida não é estratégia.
*Este texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor.