Contas mais caras, salário menor: a volta da inflação que corrói o bolso
A inflação acumulada em 12 meses está em 5,13%, acima do teto da meta oficial de 4,5%. Parece só mais um número, mas significa algo direto: sua conta de luz, o aluguel e até o pão da padaria ficaram mais caros.
O salário não acompanha e a sensação é clara: o brasileiro trabalha cada vez mais para comprar cada vez menos.
Em setembro, a energia elétrica segue com bandeira vermelha patamar 2, que acrescenta R$ 7,87 a cada 100 kWh consumidos.
Para uma família que gastava R$ 280, a conta passou para cerca de R$ 310. São R$ 30 que evaporaram do orçamento sem trazer nenhum benefício.
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O aluguel subiu 2,82% em um ano. Some a isso o gás, o transporte e a feira da semana. No fim do mês, é quase uma semana inteira de trabalho que desaparece.
O peso invisível no dia a dia
Quando a energia sobe, todo o resto sobe junto. A padaria paga mais luz, o mercadinho gasta mais para manter os freezers, o transporte fica mais caro. Cada produto carrega esse custo escondido.
É a inflação invisível que corrói o orçamento sem pedir licença. No Nordeste, onde muita gente trabalha por conta própria ou vive de bicos, o impacto é ainda mais cruel. A renda varia, mas as contas fixas não dão trégua.
Como reagir sem se afogar
Anote cada gasto. Um caderno simples já revela para onde o dinheiro está escorrendo. Ataque as dívidas do cartão. Com juros de mais de 400% ao ano, é impossível prosperar carregando esse peso. Renegociar é prioridade.
Use os juros a seu favor. Com a Selic em 15%, Tesouro Selic e CDBs de liquidez diária rendem acima de 1% ao mês, mais que o dobro da poupança.
Quem aplica R$ 100 por mês no Tesouro Selic termina o ano com R$ 1.280; na poupança, apenas R$ 1.242.
Monte uma reserva de emergência. Melhor ter R$ 200 guardados para um imprevisto do que depender do cartão e se afundar ainda mais.
A escolha é sua
A inflação não é novidade no Brasil. A diferença está na forma como cada um reage a ela. Quem ignora o problema vê o salário encolher mês a mês. Quem aprende a se proteger prospera mesmo em tempos difíceis.
O aumento da conta de luz e do aluguel é apenas o sintoma. O verdadeiro remédio é a educação financeira.
Comece hoje. Anote seus gastos, renegocie dívidas, invista nem que seja um pouco.
Daqui a um ano, você vai agradecer a si mesmo pela decisão de ter assumido o controle.
Alberto Pompeu
Educador financeiro e colunista do Diário do Nordeste
*Esse texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor.