O Mundo é uma Copa #1: como uma superstição gerou a camisa amarela do Brasil?
Uma tragédia futebolística marcou a escolha da cor por parte do Brasil
A blusa mais emblemática da história do futebol nasceu de superstição e tragédia: a camisa amarela da Seleção Brasileira. O Mundo é uma Copa, seção do Diário do Nordeste que explica curiosidades das equipes envolvidas na disputa do Mundial de 2026, conta como tudo ocorreu no 1º episódio do quadro.
Do branco ao amarelo
O futebol chegou ao Brasil oficialmente em 1894, com Charles Miller, um brasileiro que era filho de ingleses e veio ao país após passagem pela Inglaterra com bolas, uniformes e um livro de regras, auxiliando então na difusão da modalidade no país sul-americano. Logo, o esporte seguiu a ordem europeia, e os uniformes eram brancos no exterior, o que fez a Seleção Brasileira adotar a cor por quatro décadas.
E tudo caminhava bem, com a popularização da modalidade, que avançou nas diversas camadas sociais, e potencializou a equipe nacional, que chegou na Copa do Mundo de 1950, que tinha o próprio país como sede. Com grande desempenho, o Brasil chegou na final pela primeira vez para enfrenta o Uruguai, que já tinha sido campeão mundial em 1930.
A decisão foi no Maracanã, no Rio de Janeiro, com 200 mil pessoas presentes no estádio, majoritariamente brasileiros. A festa estava pronta, mas o placar foi encarada como uma "tragédia futebolística", uma "grande decepção esportiva", por conta da vitória uruguaia por 2 a 1 - a imprensa estrangeira chamou esse episódio de "Maracanazo" pelos diversos relatos de tristeza da arquibancada que impressionaram até os jogadores da seleção adversária.
Assim, como o povo brasileiro é supersticioso, as manchetes foram unânimes no dia seguinte e decretaram que a cor branca "dava" azar para o Brasil, pois nenhuma outra seleção do continente adotava essa cor. A Confederação Brasileira de Desportos (CBD), com um apoio do jornal carioca Correio do Amanhã lançou então um concurso popular para torcedores indicarem modelos, tons e um novo padrão para o Brasil.
Após diveros envios, o gaúcho Aldyr Garcia Schlee, na época com 19 anos, mandou um desenho simples, pintado à mão, inspirado na bandeira brasileira. Era uma camisa amarela, mais nacionalista, que caiu nas graças do júri e logo foi apelidada de "Canarinho" em homenagem ao pássaro também amarelo.
Depois disso, em todas as Copas seguintes, o Brasil transformou a camisa amarela na cor principal, que foi depois eternizada para o mundo na conquista do tricampeonato mundial no México, em 1970. O ano marcou a primeira vez que a televisão passava a exibir cor - antes era preto e branco - e foi logo na edição histórica da equipe comandada pelo 'Rei' Pelé, o camisa 10, que desfilou talento junto de gigantes como Carlos Alberto Torres, o Capita, e teve um desempenho coletivo que foi avaliado posteriormente como "a melhor seleção de todos os tempos".
Das cinco conquistas do Brasil, em quatro, o país atuou de amarelo. O curioso é que a 1ª taça, obtida em 1958, foi com um uniforme azul.