Nós e o dinheiro: como conter impulsos e ter saúde financeira

Ter em mente sonhos que pretende realizar, como a compra da casa própria, de uma viagem ou de um carro, por exemplo, pode ajudar a dispensar gastos imediatos supérfluos

Gastos não planejados, mesmo pequenos, mas recorrentes, estão entre os principais vilões do descontrole financeiro dos brasileiros. Desde um lanche que poderia ter sido feito em casa a uma compra por impulso realizada em um momento difícil, esse dinheiro vai saindo do bolso pouco a pouco e minam os ganhos do mês. De repente, como acontece com muitas pessoas, o salário entra e já sai da conta, levado pelas dívidas feitas assim, numa compra impulsiva.

Para Reinaldo Domingos, presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin), são os propósitos de vida que podem motivar as pessoas a focarem no que realmente as interessam e a abdicarem de outros produtos ou serviços menos importantes para a realidade delas. "Aqui, os grandes sonhos são muitas vezes tratados como último ponto, se sobrar dinheiro, quando deveriam ser prioridades", argumenta.

Ele explica: à medida que as pessoas se convencem de que precisam juntar dinheiro para atender a um objetivo maior, fica mais fácil deixar de gastar com coisas menos importantes ou substituir produtos por opções mais baratas, chegando assim mais perto de alcançar as metas estabelecidas. "É preciso fazer um orçamento e estabelecer limites para as despesas, conforme a prioridade de cada um. E tem que levar a sério, respeitar", aponta, sobre um aprendizado que já foi detalhado na primeira edição do Educação Financeira e que pode ser visto no site do Diário do Nordeste.

Resistir às promoções

Além de ter um objetivo na mente, como diz o educador financeiro, o consumidor precisa também resistir às tentações que as lojas oferecem. As compras por impulso muitas vezes se concentram em supermercados e em outras grandes lojas do varejo, cujas estratégias de marketing incluem deixar lanches, bombons e outros produtos próximos ao caixa justamente para estimulá-las. Além disso, promoções, preços atrativos e facilidade de pagamento, impulsionada pela popularização dos cartões de crédito digitais, acabam facilitando gastos impensados.

O presidente da Abefin recomenda que, a cada vez que gastar dinheiro com essas compras menos essenciais, faça a soma mensal e, depois, o consumidor multiplique tudo por 12. Assim, terá uma noção exata de quanto dinheiro no ano está "indo pelo ralo", e que poderia ser aplicado de uma maneira bem mais vantajosa - é o caso, por exemplo, de não pagar R$ 200 em um produto, mas fazer dez compras "inocentes" de R$ 20 ao longo do mês.

"As pessoas têm que ter outra visão", aconselha Domingos, reforçando a mudança na postura de consumo para transformar a relação com o dinheiro.

A falta de uma cultura de poupar no País ajuda a explicar a situação de estrangulamento financeiro de milhões de brasileiros - para além, claro, das condições de informalidade e baixos salários a que grande parte da população está submetida. Mas não é à toa o dizer popular de que "dinheiro na mão é vendaval": é natural do próprio ser humano ter dificuldade de adiar uma gratificação.

Sonhos

"O que precisamos é ter uma blindagem, algo que possa assegurar que vamos gastar menos - que são os nossos sonhos. Feito isto, vai ser preciso também tempo para pesquisar preços, ir ao supermercado com calma, mais de um, sair da zona de conforto. E avaliar, será que preciso daquilo mesmo? Será que não posso substituir esse produto por um outro mais barato? Sim, sempre", recomenda Domingos.

Seja a casa própria, uma viagem ou um carro, entre outros objetivos, Domingos aponta ser necessário reunir a família para definir as prioridades e para que cada um faça a sua parte. Para o orçamento familiar, tudo se constrói a partir do trabalho em equipe, para alcançar um objetivo comum a t. "O melhor investimento é comprar bem, com consciência, derrubando os custos para poder ser mais feliz, comprar mais, viajar mais. Isso faz parte de um projeto de conquista e de busca, deixando de lado desejos imediatos".

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