Implosão demográfica

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Redação producaodiario@svm.com.br

Economistas e demógrafos alertam que a Humanidade tem uma séria questão a enfrentar em futuro próximo. Esse problema decorre do fato de se vir constatando uma crescente queda do número de filhos por casal. Tal fenômeno, registrado em todo o mundo, é considerado o provável causador de efeitos negativos em relação ao crescimento da economia global, em face da probabilidade de haver menos pessoas a serem integradas no processo produtivo. Isso significa que, com a redução da população mundial, haveria mais dificuldades para serem vencidos os atuais índices de pobreza e miséria, pois a escassez de trabalhadores supostamente afetaria os níveis de produção.

Essa tese, entretanto, não se tornou ainda um consenso. Entre pesquisadores do Centro Wittgenstein para Demografia e Capital Humano Global e do Instituto Internacional de Análise de Sistemas Aplicada, os avanços nas áreas da educação e da tecnologia influirão sensivelmente nos adultos do futuro, fazendo com que sua adequação de conhecimentos e seus elevados dotes de criatividade compensarão a eventual insuficiência de pessoas no mercado de trabalho. A alta produtividade funcionaria como provável garantia do desenvolvimento global.

Argumentam os pesquisadores austríacos que os melhores padrões de bem-estar e qualidade de vida são obtidos através de uma educação de alta qualidade, aliada a taxas de fertilidade inferiores ao nível de reposição. Nesse modelo proposto, a taxa de natalidade ideal estaria em torno de 1,5 filho por casal. Não seria fundamental, portanto, conservar o número de crianças necessárias para manter uma população constante, mas, ao invés disso, atentar para as características dessas crianças, proporcionando-lhes mais tempo na escola e oportunidades mais concretas de multiplicar e aprimorar os conhecimentos.

De acordo com relatório divulgado pela consultoria McKynsey, uma futura pequena quantidade de pessoas em idade de trabalhar, no decorrer do século XXI e por causa da tendência observada quanto às taxas de natalidade, poderá ser razoavelmente bem compensada, caso a produtividade de cada indivíduo aumente em ritmo 80% mais rápido e eficiente do que o da atualidade. Embora seja uma meta extremamente desafiadora, ela não seria de todo impossível, ou meramente utópica.

No caso específico do Brasil, a média de filhos por casal caiu de seis para menos de dois, desde a década de 1970 até hoje, em um ritmo de redução considerado impressionante pelos analistas do tema. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) prevê que o presente índice chegará a 1,5 filho por casal no ano de 2030. No mundo, a queda tem sido menor, de 3,8 para 2,5 filhos, nos últimos 45 anos.

Ao contrário do passado relativamente recente, quando estava em foco o controle da natalidade, se procura presentemente conter a implosão demográfica. Na Rússia, casais chegam a receber do governo a quantia de 12 mil dólares para ter ou adotar um segundo filho. Um caso excepcional de controle de natalidade ainda é executado pela China.

Mas existem questionamentos se a educação aprimorada dos jovens não teria um custo muito alto ou se não seria muito longo o tempo necessário para essa educação frutificar e demonstrar seus resultados práticos. De uma forma ou de outra, é indiscutível a prioridade que deve ser concedida ao ensino em todos os níveis, evidência ainda não suficientemente assimilada em favor do desenvolvimento do Brasil.