"Não é qualquer um que entra em nossa casa", diz Bolsonaro sobre imigrantes

O presidente da República criticou nas redes sociais o Pacto Global de Migração da ONU e confirmou a saída do Brasil do acordo

Um dia depois de o governo brasileiro oficializar que deixará o Pacto Global de Migração da ONU, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) usou a sua conta no Twitter, nesta quarta-feira (9), para criticar o acordo e afirmou que o País é soberano para decidir se aceita ou não migrantes.

"Quem porventura vier para cá deverá estar sujeito às nossas leis, regras e costumes, bem como deverá cantar nosso hino e respeitar nossa cultura. Não é qualquer um que entra em nossa casa, nem será qualquer um que entrará no Brasil via pacto adotado por terceiros. NÃO AO PACTO MIGRATÓRIO", escreveu.

Em seguida, nas suas duas últimas postagens no Twitter, o presidente voltou a se pronunciar sobre o assunto e disse que o País não fechará as portas para “os que precisam”. Mas defendeu a criação de regras "por conta própria" para a entrada de imigrantes.

"Jamais recusaremos ajuda aos que precisam, mas a imigração não pode ser indiscriminada. É necessário critérios, buscando a melhor solução de acordo com a realidade de cada país. Se controlamos quem deixamos entrar em nossas casas, por que faríamos diferente com o nosso Brasil?", perguntou.

Bolsonaro voltou a defender então a soberania nacional. "A defesa da soberania nacional foi uma das bandeiras de nossa campanha e será uma prioridade do nosso governo. Os brasileiros e os imigrantes que aqui vivem estarão mais seguros com as regras que definiremos por conta própria, sem pressão do exterior".

Os imigrantes no Brasil

O Brasil enfrenta atualmente uma crise migratória com a entrada diária de centenas de venezuelanos no país pela fronteira em Roraima. Aliado de Bolsonaro, o governador do estado Antonio Denarium (PSL) defendeu durante a campanha eleitoral o fechamento da fronteira.

Há a previsão de que uma equipe de técnicos do governo viaje ao estado da região Norte na próxima semana para avaliar a situação local. Enquanto isso o fluxo intenso de migrantes na fronteira tem sobrecarregado os serviços públicos do estado.

O Governo Federal já adotou medidas de ajuda a Roraima e criou um programa de interiorização, que transfere voluntariamente os migrantes para outros estados.

Bolsonaro e o pacto da ONU

Bolsonaro ainda não deixou claro, no entanto, como conduzirá a questão de Roraima e se seguirá com as medidas adotadas na gestão de Michel Temer. 

A saída brasileira do pacto, por outro lado, não é uma surpresa já que o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, havia afirmado em dezembro que a gestão de Bolsonaro pretendia retirar o país do acordo. 

Na ocasião, o chanceler disse que o pacto internacional é um "instrumento inadequado" para lidar com a questão e que os países devem estabelecer suas próprias políticas. 

O acordo, chamado de Pacto Global para uma Migração Segura, Ordenada e Regular, é visto como uma tentativa de países da ONU enfrentarem a atual crise migratória em diversos lugares do mundo.

Todos os 193 membros das Nações Unidas, exceto os EUA, concordaram com o texto do pacto em julho, mas somente 164 o ratificaram formalmente, caso do Brasil sob a gestão de Temer.

O pacto tem entre seus objetivos prever que o migrante que estiver irregular no país não poderá ser deportado imediatamente e cada caso terá de ser analisado individualmente. Pelo texto, o migrante terá acesso a justiça, saúde, educação e informação.

Em sintonia com os EUA

O gesto de Bolsonaro contra o pacto vai na linha do que defende o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Na noite desta terça (8), o americano fez um pronunciamento na TV em busca de apoio da população para construir um muro na fronteira com o México, uma de suas promessas de campanha. 

Além de Trump e Bolsonaro, são críticos do pacto líderes simpáticos a Bolsonaro, como Sebastián Piñera (Chile), Binyamin Netanyahu (Israel), Viktor Orbán (Hungria) e o vice-premiê italiano, Matteo Salvini.

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