Justiça condena chefe do CV que 'rifava' armas e controlava 'caixinha' da facção no Grande Pirambu

Gleidson César da Silva Tito, conhecido como "A1", cumprirá 12 anos de detenção em regime inicialmente fechado por integrar a organização criminosa.

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
01 de Agosto de 2026 - 07:00
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Legenda: Gleidson César da Silva Tito é conhecido como "A1".
Foto: Reprodução/Imagem restaurada por Inteligência Artificial.

A Justiça cearense condenou Gleidson César da Silva Tito, o 'A1', por integrar o Comando Vermelho (CV) e exercer o papel de liderança da organização criminosa no Grande Pirambu, em Fortaleza. A decisão foi tomada pelo Colegiado da Vara de Delitos de Organizações Criminosas e veio à público na última segunda-feira (27).

Os magistrados consideraram que Gleidson fornecia e distribuía armamentos para integrantes da facção carioca, negociando pistolas e munições de alto poder ofensivo usadas nos confrontos com organizações rivais. Além disso, ele era responsável por fornecer e vender drogas na região do Carlito Pamplona, do Pirambu e do Álvaro Weyne, e gerenciar o lucro dessas operações.

'A1' ainda lucrava com rifas de armas de fogo e drogas e coordenava a arrecadação de "caixinhas" para financiar a disputa territorial promovida pelo CV. Documentos obtidos pela reportagem indicam que ele também monitorava a Polícia e alertava em tempo real os aliados sobre a movimentação das autoridades de segurança na região, e se reportava diretamente às principais lideranças locais da facção que estão foragidas no Rio de Janeiro, como 'Skidum' e 'Biu', a quem chamava de "irmãos".

Ele está detido desde o ano passado na Unidade Prisional Professor José Jucá Neto (UP Itaitinga 3), na região metropolitana da Capital.

A reportagem não localizou a defesa do condenado. 

Absolvido por morte de vendedor de água

O processo movido contra 'A1' começou em 2023, com uma investigação que apontava que ele teria sido o mandante da morte de Isaquiel Costa da Silva, um vendedor de água que morava no Grande Pirambu e que foi morto a tiros na calçada de um comércio da região.

Durante o cumprimento do mandado de prisão temporária relativo à investigação do homicídio, a Polícia apreendeu o celular do acusado e, embora não tenha descoberto provas diretas que o relacionassem à morte Isaquiel, foram encontrados diversos conteúdos sobre o tráfico de drogas no Grande Pirambu, revelando a posição de liderança dele no CV.

Condenado por chefiar o crime organizado

Sem indícios suficientes de autoria para levá-lo a júri popular, a Justiça decidiu, em julho de 2024, impronunciá-lo, ou seja, absolvê-lo no caso da morte do vendedor de água.

No entanto, o processo foi desmembrado e remetido à Vara de Delitos de Organizações Criminosas, onde o traficante acabou sendo condenado a 12 anos de prisão em regime inicialmente fechado pela atuação no crime organizado.

O que alegou a defesa?

Em documentos obtidos pela reportagem, a defesa de Gleidson sustentou que a configuração do crime de pertencimento à organização criminosa demandaria a presença simultânea de elementos como a associação de quatro ou mais pessoas de forma estruturada e com divisão de tarefas, o que, segundo os advogados, não ficou demonstrado no processo.

Os advogados também negaram que o celular apreendido pertencesse ao cliente. O próprio Gleidson afirmou, em juízo, que, no momento da prisão, estava sem celular e não autorizou acesso a nenhum dado. Sobre a alcunha de 'A1', ele alegou ser como os amigos o chamavam quando criança.

Por fim, a defesa pediu que fosse aplicado o princípio "in dubio pro reo" (em dúvida, a favor do réu), com base no princípio de presunção da inocência devido à "fragilidade probatória".

O que a Justiça considerou para condenar o réu?

Para condenar Gleidson, a Vara de Delitos de Organizações Criminosas rejeitou a tese da defesa de que o celular não pertencia ao réu e considerou a prova técnica extraída do aparelho, que comprovou sua adesão estável e voluntária ao Comando Vermelho. Citou, ainda, um conjunto probatório robusto contra ele, como comprovantes de transações financeiras, áudios direcionados a familiares e a posse direta do celular no momento da prisão, registrada nos autos.

Também foram levadas em conta as ordens diretas emitidas por 'A1' a subordinados para a movimentação de armas (os chamados "corres") e a distribuição de armamento e drogas.

Para o agravante da posição de liderança, foi pontuada a interlocução direta entre o preso e os chefes do CV escondidos no Rio de Janeiro.

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