A cantora Juliette Freire se manifestou nas redes sociais, na manhã desta segunda-feira (13), com relação ao início do julgamento do acusado de assassinar com 34 facadas a enfermeira cearense Clarissa Costa Gomes, que ocorre hoje, em Fortaleza. As duas eram amigas de longa data.
"Hoje eu acordei com o coração apertado. Já vai começar o tribunal do juri do caso da minha amiga Clarissa, que foi vítima de feminicídio, no ano passado", iniciou Juliette.
"Eu acredito muito na justiça. Não só na de Deus, mas na de todos que estão envolvidos no julgamento. Tenho certeza que a justiça será feita. Que a família sinta um pouco de acolhimento e saiba que não está sozinha", complementou.
Juliette ainda chamou a atenção do público para legislações que punem comportamentos misóginos, como o projeto de lei que integra a misoginia entre os crimes de preconceito ou discriminação, previstos na Lei do Racismo.
"A luta contra o feminicídio é de todos. Não é sobre partidos ou ideologia. É uma luta coletiva. O feminicídio não começa na agressão. Começa em uma palavra, em normalizar alguns comportamentos. É preciso criar leis que modifiquem essa cultura", opinou.
A cantora relembrou que o texto foi aprovado em março deste ano, mas que segue parado na Câmara dos Deputados. Por isso, considera urgente a votação da pauta nas próximas sessões do Congresso, antes do início do recesso parlamentar na próxima sexta-feira (17).
"Queria tanto que os discursos se tornassem ações. Que [os políticos] pensassem muito mais nessa proteção a nós, mulheres, e menos em pautas secundárias e em ficar atrasando coisas que vão refletir positivamente. Essa é a última semana, se não for feito, só Deus sabe quando", finalizou Juliette.
Amizade entre Clarissa e Juliette
Quando soube do assassinato de Clarissa, Juliette publicou uma série de vídeos em que compartilhava a história da amizade entre elas. Segundo a cantora, Clarissa era amiga de infância de Monalisa, uma amiga de Juliette que dividiu o apartamento com ela na Paraíba.
"Eu convivi com Clarissa, era uma menina maravilhosa, estudiosa, educada, doce, enfermeira neonatal, cuidava dos bebezinhos. Esse era o primeiro namorado dela e a gente nunca soube de absolutamente nada, se era um relacionamento tóxico", disse.
"Nunca teve um indício de violência, não teve uma gradação. Simplesmente hoje, a gente acorda com a notícia dessa. É todo mundo se perguntando: será se a gente não viu, não percebeu? Não teve nenhum pedido de socorro".
Nos meses seguintes, a cantora foi bastante vocal em pedir justiça à falecida amiga e integrou diversos movimentos de luta contra o feminicídio.
Em uma dessas mobilizações, ocorrida em Copacabana, no Rio de Janeiro (RJ), em dezembro do ano passado, Juliette relembrou o caso de Clarisse e assegurou que seu engajamento é vitalício, afirmando que fará o que estiver ao seu alcance "até o último dia da minha vida."
Caso Clarissa
Clarissa Costa Gomes foi morta a facadas na noite de 9 de julho de 2025, no bairro Jardim Cearense, em Fortaleza. Ela tinha 31 anos e trabalhava como enfermeira no HGF. O crime foi cometido pelo ex-namorado dela, o gestor ambiental Matheus Anthony Lima Martins Queiroz, 26. Ele foi preso em flagrante na Maraponga minutos após o crime.
À época, o Diário do Nordeste apurou que o assassinato teria sido motivado pela não aceitação, por parte do homem, do fim do relacionamento.
O caso chocou familiares de Clarissa, que não tinham conhecimento de agressões ou ameaças sofridas pela vítima nos quase dois anos em que ela esteve com o assassino. Entretanto, amigas da vítima relataram à família que poucos meses antes do crime começaram a suspeitar que Clarissa estivesse imersa em um relacionamento abusivo.
Tudo isso será levado a julgamento a partir desta segunda-feira (13), na Comarca de Fortaleza, no Fórum Clóvis Beviláqua.
São esperados no banco de testemunhas familiares da vítima e do réu, bem como outros depoentes importantes para o processo, incluindo o próprio Matheus. É possível que o júri dure mais de um dia.