O técnico em gestão ambiental Matheus Anthony Lima Martins Queiroz, acusado de assassinar com 34 facadas a enfermeira Clarissa Costa Gomes, em julho do ano passado, terá seu destino decidido nesta segunda-feira (13) pelo Tribunal do Júri. O julgamento será a partir das 8h30 na Comarca de Fortaleza, no Fórum Clóvis Beviláqua.
São esperados no banco de testemunhas familiares da vítima e do réu, bem como outros depoentes importantes para o processo, incluindo o próprio Matheus. É possível que o júri dure mais de um dia.
Jurados populares decidirão, a partir dos relatos das testemunhas e das provas apresentadas por acusação e defesa, se condenam ou absolvem o ex-namorado da vítima, morta há um ano. O "Caso Clarissa" gerou repercussão nacional, principalmente após a campeã do Big Brother Brasil 21, Juliette, revelar que era amiga da enfermeira.
O acusado do feminicídio está preso desde o flagrante, recolhido na Unidade Prisional de Aquiraz (UP-Aquiraz), na região metropolitana da Capital cearense. No último junho, os advogados que faziam a defesa técnica dele renunciaram, alegando que a família não tinha mais condições financeiras de arcar com os honorários. Foi então que ele solicitou atendimento da Defensoria Pública do Estado (DPCE), e foi designado um defensor público para representá-lo no Júri.
A família de Clarissa, por sua vez, é assistida pelo escritório do advogado Waldir Xavier, que faz a assistência de acusação junto ao Ministério Público do Ceará (MPCE).
Relembre o caso
Clarissa Costa Gomes morreu aos 31 anos, vítima de feminicídio, em Fortaleza. Segundo as investigações, ela foi assassinada com 34 golpes de faca pelo namorado, Matheus Anthony Lima Martins Queiroz, então com 26 anos.
Vizinhos da enfermeira disseram que viram o casal chegar à casa da vítima, no Jardim Cearense, por volta de 13h30. Um vizinho relatou à Polícia que, às 15h20, ouviu uma voz feminina gritar "me solta, vai me matar". Outra vizinha ouviu ela gritar o nome de Matheus duas vezes. Por último, os moradores ouviram apenas o som de uma batida no chão.
Matheus foi visto saindo da residência em sua motocicleta. O irmão dele chegou algum tempo depois e, junto aos vizinhos, encontrou o corpo de Clarissa sem vida. "Meu Deus, o que meu irmão fez?", exclamou ele, segundo o relato das testemunhas.
Matheus foi preso em flagrante na Maraponga e confessou o crime. Questionado sobre a motivação, ele disse, a princípio, tomar medicação para epilepsia e ansiedade. Depois, falou que não se lembrava do que tinha acontecido.
Vítima pediu ajuda
Na denúncia apresentada à Justiça sobre o caso, o MPCE detalhou que Clarissa chegou a mandar uma mensagem com os dizeres "S.O.S" para uma amiga no momento em que estava sendo espancada pelo namorado, mas a colega de trabalho acreditou que a enfermeira estava se referindo a um assunto que estava sendo tratado na reunião remota que ambas estavam participando naquela hora.
O MP afirmou ainda que o relacionamento de cerca de dois anos foi marcado por episódios de ciúme excessivo por parte do réu. Além disso, pessoas próximas à vitima relataram que haviam identificado comportamentos abusivos e possessivos no acusado, bem como uma mudança no comportamento de Clarissa, que se tornou mais fechada.
As investigações apontaram ainda que, em junho do ano passado, a enfermeira confidenciou a duas amigas que pretendia terminar o namoro com Matheus.