Justiça marca júri de acusado de matar enfermeira Clarissa; veja data

O julgamento acontece em Fortaleza, um ano após o crime.

Escrito por Emanoela Campelo de Melo emanoela.campelo@svm.com.br
24 de Junho de 2026 - 14:57
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Legenda: O gestor ambiental Matheus Anthony Lima Martins Queiroz foi preso em flagrante por matar a namorada, a enfermeira Clarissa Costa Gomes
Foto: Reprodução

A Justiça do Ceará marcou data para o gestor ambiental Matheus Anthony Lima Martins Queiroz sentar no banco dos réus. Matheus deve ser julgado no próximo dia 13 de julho, pelo assassinato da enfermeira Clarissa Costa Mendes, de 31 anos. 

O Conselho de Sentença, formado por jurados populares, deve decidir condenar ou absolver o ex-namorado da vítima, acusado pelo crime de feminicídio. A sessão acontecerá no Fórum Clóvis Beviláqua, em Fortaleza, e será presidida pelo juiz da 2ª Vara do Júri. 

O assassinato da enfermeira Clarissa completa um ano no próximo dia 9 de julho. O caso teve repercussão nacional devido aos requintes de crueldade no crime e depois que a cantora e ex-BBB Juliette foi às redes sociais dizer que era amiga da vítima e pedir Justiça pelo caso.

"Esfaqueada 34 vezes pelo seu primeiro namorado: foi assim que eu perdi minha amiga Clarissa. E dói falar dessa forma, soa agressivo. Mas, sabe o que pode ser ainda mais violento? O nosso silêncio", discursou Juliette, que acrescentou se sentir impotente a cada nova notícia de casos de agressões e feminicídios, disse Juliette. 

A defesa do réu não foi localizada pela reportagem.

RELACIONAMENTO ABUSIVO

Clarissa Costa Gomes foi morta a facadas no bairro Jardim Cearense, em Fortaleza. Ela tinha 31 anos e trabalhava como enfermeira no Hospital Geral de Fortaleza (HGF). Matheus foi preso em flagrante, na Maraponga, minutos após o crime.

À época, o Diário do Nordeste apurou que o assassinato teria sido motivado pela não aceitação, por parte do homem, do fim do relacionamento.

Uma vizinha que estava em casa no momento do crime disse ter ouvido que "gritos de socorro e sons de agressões, aparentemente resultantes de batidas sucessivas da cabeça de Clarissa contra o chão".

Conforme a denúncia do MPCE, Clarissa Gomes e Matheus Anthony Queiroz chegaram à casa dela, na Rua 4, por volta de 13h30 de 9 de julho de 2025. O laudo pericial apontou que eles tiveram relação sexual.

Por volta das 14h, Clarissa participou de uma reunião virtual de trabalho, "em que a vítima não ligou a câmera nem o áudio, tendo apenas mandado mensagem escrita", segundo o MPCE. "Após o término da reunião, por volta das 15h00, Clarissa mandou para uma das pessoas que estava nessa reunião em que escrevia 'SOS'".

Entretanto, a pessoa que recebeu a mensagem "acreditou que a mensagem dizia respeito ao conteúdo da reunião". Nos minutos seguintes, vizinhos de Clarissa ouviram uma mulher gritar "Me solta, vai me matar!", mas também não reagiram a tempo.

FEMINICÍDIO

O MPCE denunciou Matheus Anthony Lima Martins Queiroz por feminicídio consumado, incidindo as causas de aumento de pena em razão da utilização de meio cruel e de recurso que dificultou a defesa da vítima, com motivação torpe.

O caso chocou familiares de Clarissa, que não tinham conhecimento de agressões ou ameaças sofridas pela vítima nos quase dois anos em que ela esteve com o assassino. 

"Ele não bebia, nem fumava. Isso, de certa forma, a gente acha que é até uma qualidade. Mas, como eu sempre digo: antes um bêbado sem fazer nada [criminoso] do que um bonzinho, mas, por trás, uma mente perversa", desabafou à reportagem o pai da vítima, Luciano Gomes, à época.

Entretanto, amigas da vítima relataram à família que, poucos meses antes do crime, começaram a suspeitar que Clarissa estivesse imersa em um relacionamento abusivo. 

Um dos sinais foi que Matheus chegou a impedi-la de sair sem ele. Em outro momento, o autor do feminicídio chegou a ameaçar fazer algo contra a vida da enfermeira ou a dele próprio se ela não atendesse a uma exigência dele.

O casal ficou junto por cerca de um ano. A vítima e o suspeito de feminicídio participavam de grupos de jovens, na Paróquia Santo Antônio de Pádua, no bairro Maraponga, em Fortaleza.

O grupo Encontro de Jovens com Cristo Maraponga (EJC Maraponga), que se reúne na Paróquia Santo Antônio de Pádua, publicou uma mensagem de despedida de Clarissa Costa Gomes, nas redes sociais.

"Sua alegria, fé e presença marcaram profundamente todos que conviveram com você no EJC. Hoje choramos sua ausência, mas confiamos que Deus a acolhe em Seus braços com infinito amor e misericórdia", disse o EJC Maraponga.

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