Dois ex-policiais militares e um comerciante foram absolvidos pelo Tribunal do Júri, nessa terça-feira (4), da acusação de executar um homem em uma academia no bairro Mondubim, em Fortaleza, em novembro de 2006. O julgamento ocorreu no Fórum Clóvis Beviláqua, em Fortaleza.
Um dos ex-PMs acusados do crime, apontado, também, como integrante de um grupo de extermínio formado por militares, é Raimundo Nonato Soares Pereira, conhecido como 'Cabo Nonato' ou 'Nonatinho'. Ele e outro ex-PM, Ademir Mendes de Paula, o 'Fusqueta', já morto, foram denunciados pelo Ministério Público do Ceará (MPCE) como os responsáveis pelos três tiros certeiros disparados contra a vítima.
Conforme documentos do processo obtidos pela reportagem, Altamir Júnior Rodrigues Alves, tido como assaltante, praticava exercícios físicos distraído quando teria sido surpreendido pela dupla, que chegou de moto ao local. Ele teria sido morto a mando do também assaltante Marcos Paulo Oliveira Pimentel, que, à época, estava detido no presídio de segurança máxima do Estado, o extinto Instituto Penal Paulo Sarasate (IPPS).
Troca de alvo
O caso é envolto em reviravoltas. A princípio, 'Cabo Nonato', então policial militar, teria sido sondado por Altamir para executar o pai de Marcos Paulo, o comerciante Manuel Jacinto Pimentel de Oliveira. O motivo não foi dito no processo, mas a "contratação" já envolvia 'Fusqueta', que daria o suporte para o assassinato.
Por serem colegas de quartel na Polícia Militar, Nonato teria decidido contar sobre a proposta a Raimundo Josevane Pinheiro de Oliveira, o 'Evandro', parente de Manuel Jacinto e tio de Marcos Paulo. Com a informação, a família teria decidido, então, revidar, e contratar Nonato e Ademir por R$ 10 mil para, em vez do comerciante, matar Altamir.
Os mentores do crime foram descobertos por meio de escutas telefônicas iniciadas dez dias antes, que tinham o objetivo de monitorar os passos de Marcos Paulo na penitenciária.
Dois dos envolvidos foram mortos
Segundo o processo, Marcos Paulo foi assassinado poucos meses após Altamir, em 2007, em um conflito com um vizinho de cela, no IPPS. Ademir, o 'Fusqueta', também foi morto naquele mesmo ano, como "consequência" de uma vingança.
Diante disso, o Ministério Público do Ceará (MPCE) denunciou apenas o comerciante Manuel Jacinto e os então PMs Raimundo Josevane e Raimundo Nonato pelos crimes de homicídio qualificado e formação de quadrilha.
Os três foram pronunciados e, nessa terça-feira (4), sentaram no banco dos réus. O Tribunal do Júri absolveu o trio.
Em nota enviada ao Diário do Nordeste, o advogado Arnaldo Lopes, representante de Josevane, afirmou que a defesa sustentou a tese de que o cabo não teve participação no crime. "Após quase duas décadas, o julgamento chegou ao seu momento decisivo. A defesa apresentou aos jurados os elementos que sustentavam a inocência de Raimundo Josevane, buscando demonstrar a ausência de participação no homicídio", escreveu.
Já a defesa de Nonato, representada pelo advogado Sabino Sá, resumiu: "Todos foram absolvidos". Os advogados de Manuel Jacinto não foram localizados pela reportagem.