Tirullipa é condenado por puxar biquíni e tocar nos seios de mulheres durante Farofa da Gkay

Juíza rejeitou tese da defesa e destacou que a participação voluntária em uma brincadeira não autoriza invasões à intimidade ou integridade corporal.

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
05 de Agosto de 2026 - 11:05 (Atualizado às 12:05)
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Legenda: Humorista cearense falou sobre assunto em podcast.
Foto: Reprodução/YouTube.

O humorista Tirullipa foi condenado no último dia 30 de julho a pagar R$ 30 mil em indenização por danos morais a duas mulheres da Paraíba por  expor o corpo delas e praticar atos invasivos durante o evento "Farofa da Gkay" em dezembro de 2022. Cada uma das vítimas deve receber R$15 mil.

Everson de Brito Silva, nome civil do humorista, foi condenado em primeira instância. A decisão é da juíza Leila Regina Corado Lobato, da 36ª Vara Cível da Comarca de Fortaleza. Tirullipa também deve pagar as custas processuais.  

O episódio analisado pela justiça envolve o Tirullipa participando, em dezembro de 2022, de simulação da "Banheira do Gugu", em que os participantes disputam pegar um sabonete dentro da banheira, durante o aniversário da influenciada Gessica Kayane, conhecida como Gkay. As duas mulheres indenizadas estavam no momento do ocorrido.

Tirullipa foi gravado puxando o laço do biquíni de uma das participantes e depois tocou nos seios de outra, tudo sem o consentimento delas. 

A juíza Leila Regina Corado Lobato considerou que o humorista  “extrapolou os limites inerentes à atividade recreativa” ao desamarrar a roupa de uma participante e tocar partes íntimas de outra.

A magistrada rejeitou as defesas preliminares, destacando que a participação voluntária em uma brincadeira não autoriza invasões à intimidade ou integridade corporal.

Lobato entendeu também que a divulgação dos vídeos em redes sociais e a repercussão dos acontecimentos "agravaram o constrangimento e a humilhação sofridos" pelas duas vítimas. Tirullipa também deve pagar as custas processuais. A decisão cabe recurso.

Em nota, o Tribunal de Justiça do Ceará reafirmou a condenação. " a Justiça reconheceu violação à intimidade e à dignidade das demandantes durante evento". E citou que ainda cabe recurso da decisão.

 

Defesa do réu

A tese defensiva argumentou que as autoras participaram da dinâmica de entretenimento de forma voluntária, o que, na visão da defesa, afastaria a responsabilidade pelo ocorrido.

O réu defendeu que sua conduta não configurava um ato ilícito. Além disso, ressaltou que a situação aconteceu em um ambiente descontraído ou humorístico, tentando minimizar a gravidade da exposição das autoras do processo.

A defesa também alegou que a ampla divulgação das imagens e a repercussão negativa do episódio teriam decorrido exclusivamente da atuação de terceiros ou da própria natureza midiática do evento ("Farofa da Gkay"), e não de um ato direto do humorista.

O juízo rejeitou todos esses argumentos, entendendo que a adesão à brincadeira não autorizava o desnudamento ou contato físico indevido, e que o próprio réu admitiu publicamente ter "passado do ponto" e "se excedido"

PEDIDO DE PERDÃO E “MIMIMI”

"Depois de ter conversado com a Gkay, com toda a produção, quero aqui pedir desculpa a todas as meninas, às mulheres, à Nicole, que se sentiu assediada. Não foi a minha intenção", disse Tirullipa, em primeiro pronunciamento, no dia 6 de dezembro de 2022.

No dia seguinte, o cearense publicou uma indireta em suas redes sociais, dando a entender que foi abandonado, após ser acusado de assédio e ser expulso da Farofa. 

"Muitas pessoas só ficam ao seu lado até conseguirem o que querem, depois te abandonam", diz a imagem publicada em seu perfil no Instagram

Em outubro de 2023, o artista se pronunciou novamente e disse que a repercussão do caso foi 'mimimi": “Estavam filmando de boa, mas aí começou a acusação da internet, do 'mimimi', a outra visão da galera que não estava presente.”

Outras condenações

Esta é a terceira condenação contra o artista envolvendo o mesmo episódio. Em junho, ele foi sentenciado a pagar R$ 20 mil à influenciadora Vitória Lopes. 

A primeira determinação de pagamento por danos morais foi expedida em maio de 2024. A época, Tirullipa teve que pagar R$ 25 mil de indenização por danos morais a influenciadora Halessia. A drag queen processou o cearense em dezembro de 2022, por puxar sua sunga.

 

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