Da escola para a vida

Educação Física na escola é vital para o desenvolvimento de habilidades que duram para a vida toda.

Educação física na infância

"As aulas de Educação Física, para mim, eram um momento para eu testar meus limites, me conhecer melhor enquanto indivíduo ativo e em interação com os demais”. O relato do biólogo Gabriel Aguiar, de 24 anos, ilustra a importância dessa disciplina na idade escolar. Quando acompanhadas por um profissional licenciado, as aulas contribuem para o desempenho da criança na escola e surtem efeito na vida adulta.

Foi nas aulas de Educação Física que Gabriel Aguiar iniciou a prática de karatê, que mantém até hoje, como profissional. “Faz 17 anos que eu treino esse esporte, nunca parei, sou faixa preta e professor”, comemora. Para ele, as aulas foram determinantes para essa trajetória. “Sem dúvida, devo essa iniciação às aulas, pois, sem elas, não teria despertado meu interesse pelo esporte. Além dele, outras artes marciais ocupam um espaço central na minha vida”, afirma o esportista. “As aulas de Educação Física na infância certamente fortalecem a construção subjetiva de um ser humano”, complementa Gabriel Aguiar.

A experiência de Gabriel é um exemplo de como a Educação Física na idade escolar impacta a vida de uma pessoa. “É na escola, por meio da Educação Física, que acontecem as trocas de experiências. As relações entre as pessoas, por meio da cultura corporal do movimento, que exercerá um papel importante para o desenvolvimento do protagonismo, dentro de um contexto lúdico e educativo”, pontua a professora Maria Aldeisa Gadelha, Doutora em Ciências do Desporto pela Utad/PT, Coordenadora do curso de Educação Física da Estácio Unidade Centro e Presidente da Comissão de Educação Física Escolar do Conselho Regional de Educação Física da 5a Região (CREF5-CE).

Maria Aldeisa Gadelha destaca que é na escola onde os alunos aprendem sobre a importância da atividade física, contribuindo para adoção de um estilo de vida fisicamente ativo que repercute na vida adulta. O Prof. Dr. Heraldo Simões Ferreira, Professor da Universidade Estadual do Ceará e Conselheiro do CREF5-CE, destaca outro aspecto: “Como a Educação Física é realizada entre meninos e meninas de forma conjunta, isso também vai impactar na vida adulta deles, contribuindo para que respeitem o sexo oposto”, pontua. “Quando se tornam adultos, passam a ser mais tolerantes com o sexo oposto, porque na aula de Educação Física todos vão fazer a mesma coisa: se é futebol, todos vão jogar futebol. Se é dança, todos vão dançar”, ilustra.

Sala de aula

Em atividades como amarelinha, pega-pega e esconde-esconde, além de esportes, como futsal, vôlei e handebol, as aulas de Educação Física afetam diretamente a vida escolar dos alunos. “O componente Educação Física escolar não é apenas atividade física, contribui para o desenvolvimento integral do aluno”, destaca Maria Aldeisa Gadelha.

Heraldo Simões Ferreira aponta três aspectos que podem ser trabalhados pelo professor. “Em todas as atividades, o professor procura desenvolver o aluno em três aspectos: cognitivo, afetivo e motor”, elenca. Quando se brinca de amarelinha, por exemplo, o aluno está desenvolvendo equilíbrio, força de membros inferiores, coordenação global e fina, ou seja, o aspecto motor. “No aspecto cognitivo, trabalha-se estratégia, resolução de problemas, velocidade de raciocínio, concentração, memória e atenção. Também tem o aspecto afetivo, que é a vontade de terminar aquela tarefa, persistir, ser determinado”, explica Heraldo Simões Ferreira.

Em disciplinas como Matemática, Português, História e Geografia, o desenvolvimento do intelecto é muito cobrado, exigindo do aluno atenção, memória, percepção e velocidade de raciocínio, habilidades desenvolvidas na Educação Física. “Quando você joga futebol, por exemplo, tem que ter o desenvolvimento cognitivo, é preciso pensar no ponto futuro, ter estratégica, tática, resolver problemas de forma rápida, ter conhecimento lógico-matemático de espaço dentro do campo. Então, toda atividade física requer desenvolvimento cognitivo e é óbvio que vai impactar em sala de aula. O desenvolvimento afetivo também é importante, pois o aluno deve ser determinado, ter foco, buscar terminar com vontade, ter persistência. E ele vai aprender isso na prática esportiva e vai levar para sala de aula”, argumenta o professor.

Brincadeiras que ensinam


No aspecto afetivo/emocional, a Educação Física tem muito a ensinar às crianças a se tornarem adultos saudáveis. Afinal, é na infância que se aprende que, em um jogo de futebol, por exemplo, às vezes se perde e às vezes se ganha. E que é preciso ter persistência e não desistir fácil. “Se a criança não vivenciar essa cultura esportiva, dificilmente vai desenvolvê-la quando for adulto”, analisa Heraldo Simões Ferreira. Para o professor, é importante que os pais incentivem a experimentação do esporte, a partir dos 2 anos de idade.

“Para crianças de 2, 3 até 5 anos de idade, é importante que você a deixe experimentar. Se quer fazer ballet, karatê ou judô, deixa. É importante que ela experimente sem cobrança”, indica o educador.

Já na idade dos 6 aos 10 anos, as crianças começam a despertar para um esporte específico, como pontua o professor. “Nessa idade, elas continuam experimentando, mas começam a mostrar interesse maior em determinada atividade. É importante que os pais ainda não façam cobranças extravagantes. Se você cobrar muito em relação à competição, elas podem desistir. Tem que ter cuidado e deixar experimentar à vontade”, sugere.