Para olhar o céu azul
Antes quase impossível pelos preços proibitivos, ter um conversível no Brasil com valor bem abaixo de R$ 100 mil é mais do que viável. Testamos durante uma semana o mais barato do Brasil, o Fiat 500 Cabriolet
Passear com um carro conversível é super divertido. Mas no Brasil são poucas as opções.
A mais acessível é o Fiat 500 Cabriolet. Um veículo compacto, com capacidade para quatro pessoas, mas que tem a opção do teto aberto para ver a lua ou o céu azul. Ou o nosso sol, é claro.
O modelo é fabricado no México - de onde chega gozando das benesses do acordo automotivo, como todo Cinquecento importado ao Brasil.
Seu pacote é completo e o por ser leve, seu motor de 1,4 litro Multiair 16V, só a gasolina, capaz de gerar 105 cavalos máximos a 6.250 giros com torque de 13,6 kgfm a 3.850 rotações, tem bom desempenho. O câmbio é o automático de seis velocidades. Uma boa caixa de transmissão, mas por vezes o motor grita nas reduções de marcha.
As rodas são exclusivas aro 15, o ar condicionado é manual e o carro tem sensor de estacionamento, airbags duplo frontal e laterais, freios com ABS (antitravamento), EBD (distribuição da força de frenagem), controle de estabilidade e de tração, auxílio de partida em aclives, piloto automático, direção elétrica Dual Drive, faróis com regulagem de altura, retrovisores elétricos com capa cromada, bancos com revestimento parcial de couro, entre outros.
O interior do veículo que testamos tinha charmosos bancos vermelhos com detalhes brancos. A visibilidade frontal é muito boa. Já atrás nem tanto.
Para dar ré é preciso ter cuidado e confiar no sensor e nos retrovisores, principalmente quando a capota está baixa. A posição de dirigir é outro ponto alto. A direção é leve e os comandos estão à mão.
O painel do conversível é idêntico ao do hatch comum. Ou seja, comandos de rádio e ar-condicionado todos à mão e muito bem colocados, bancos e volante com ajustes amplos. O mesmo se aplica ao painel de instrumentos do 500. A Fiat optou por um layout de círculos concêntricos em que o computador de bordo fica dentro do conta-giros, que por sua vez fica dentro do velocímetro.
Há um belo porta-objetos no console central do 500. Ali, dá para guardar uma grande variedade de quinquilharias sem grandes problemas. Entrar e sair não é um grande problema para o pequeno mexicano. Há dificuldade apenas para acessar os assentos traseiros, um pouco afundados ali atrás
Mas vamos ao desempenho. A suspensão podia ser um pouco mais firme, mas também não fará o 500 pular a cada lombada ou desnível de nossa esburacada cidade. Tudo é tão suave, que o 0-100 km/h prometido pela Fiat é de apenas 12,6 segundos; da mesma forma, a velocidade máxima é comedida: nem 180 km/h. Para estacionar é uma "mão na roda". Não existem limites e em pequenos espaços se consegue colocar o veículo de forma fácil.
O carro fica na mão do motorista. Seguro e com respostas rápidas na direção, fica fácil manobrar e passear nas ruas. Na transmissão há duas opções no modo automático. O normal e através de um botão no console, o modo Sport, que segura a troca de marchas, esticando de maneira esportiva, até o motor não aguentar mais de gritar, ao mesmo tempo em que endurece a direção.
A vida é boa para quem vai na frente. Boa vista, espaço...Mas para quem vai atrás o aperto é grande, principalmente se forem pessoas altas. O porta-malas é outro ponto fraco: apenas 153 litros. Cabem duas malas pequenas e só. Mas é uma questão de estilo mesmo. O Fiat 500 conversível não foi feito para grandes viagens ou excursões mirabolantes.
Os comandos para abrir e fechar a capota são super simples e práticos. Basta teclar e a capota abre quase até o fim. Em outro toque, aí sim, vai até o fim, contemplando também o teto aberto para quem está no banco traseiro.
Para recolher a capota são precisos mais três toques no botão, simplicidade no uso.
Mas para quem espera um conversível clássico fica a observação: o Fiat 500 Cabriolet é um semi conversível: o teto foi recortado e as colunas permaneceram intactas.
Desde o final de 2011, quando deixou de ser produzido na Polônia, o Fiat 500 normal começou a chegar no Brasil vindo do México com o preço menor cerca de R$ 20 mil. Com isso, as vendas do pequeno retrô dispararam e ele começou a ser visto com frequência nas ruas. Tanto é que ninguém mais torce o pescoço ao ver um 500 passar.. Mas passear com um conversível é diferente. Crianças, mulheres e homens - muita gente olhava o carro.
Fica a dica para quem comprar o carrinho: curta bastante com a capota aberta, aquela sensação de liberdade, diversão, juventude...Mas fique esperto! Com a insegurança de nossa cidade, não é em qualquer lugar que você vai poder aproveitar tranquilo...
História
O Fiat 500 foi o sucessor do Topolino e nasceu em 1957, para atender às demandas do mercado pós-guerra, que apelou para carros de custo muito baixo. O carro tinha que ter motor traseiro, para tentar fazer o mesmo sucesso do Fusca. Vários fabricantes de automóveis seguiram esse padrão e foram muito bem sucedidos. Mas apenas o Fiat 500 foi usado como padrão para outros fabricantes de carros na Europa. As empresas Neckar da Alemanha e a Steyr-Puch da Áustria seguiram legalmente a base no Fiat 500.
Apesar de seu tamanho diminuto, o 500 provou ser um veículo extremamente prático e popular em toda a Europa. A produção do 500 terminou em 1975, embora o seu sucessor, o Fiat 126, foi lançado dois anos antes. O 126 nunca foi tão popular quanto seu antecessor na Itália, mas foi (e ainda é) muito popular nos países do antigo Bloco Leste, onde é famoso pela durabilidade mecânica e econômica.
O Cinquecento estava disponível em um estilo único, um pequeno hatch de 2 portas, com um coeficiente aerodinâmico favorável de apenas 0,33. Ele apresentava diversos avanços em relação aos mais velhos carros Fiat urbanos.
Ficha técnica
Motor: 1.4 litros
Potência: 105 cv
Câmbio: Automático 6velocidades
Comprimento: 3546 mm
Entre-eixos: 2300 mm
Largura: 1627 mm
Altura: 1497 mm
Peso: 1153 kg
Porta-malas: 153 litros
Rodas: Aro 15
Tanque: 40 litros
Consumo: 8 km/litro (médio cidade)
Preço: R$ 62.000,00
Andre Marinho
Editor