Lula diz em jornal americano: ''Ninguém vai nos derrotar com base em mentiras'

Afirmação do presidente está em artigo do The Washington Post deste domingo (26).

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
26 de Julho de 2026 - 14:09
capa da noticia
Legenda: Lula diz que tarifas impostas a produtos brasileiros são 'erro estratégico'.
Foto: Ricardo Stuckert/PR.

"Nunca antes um secretário de Estado norte-americano havia qualificado o Brasil como um país não-amigo", disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao jornal americano The Washington Post na edição deste domingo (26).

A declaração, segundo o g1, é dada após o Itamaraty negar um pedido de visto solicitado por dois funcionários do Departamento de Estado dos Estados Unidos.

De acordo com o governo brasileiro, eles viriam ao país para questionar a integridade e a confiabilidade do sistema eleitoral.

Em resumo, Lula assegurou, no artigo, que o Brasil não vai aceitar tentativas de usar a relação econômica com os Estados Unidos para pressionar o país por motivos políticos ou influenciar as eleições.

"Tentativas de impor amarras ideológicas à parceria bilateral, ou de instrumentalizá-la para fins eleitorais, não se sustentam (...). Ninguém vai nos derrotar com base em mentiras", completou o chefe do Executivo brasileiro.

Lula aponta "erro estratégico"

Lula ainda sublinha, no artigo, que as tarifas impostas a produtos brasileiros são um "erro estratégico", pois "prejudicam a economia dos Estados Unidos e a parceria com o Brasil".

Na visão do presidente, as importações brasileiras para o país caíram para o menor patamar desde 1997.

Ele também destacou que tentou negociar diretamente com Trump e que o governo brasileiro realizou dezenas de reuniões com representantes americanos. 

Segundo Lula, mesmo após apresentação de argumentos técnicos, EUA decidiram manter novas taxas.
Legenda: Segundo Lula, mesmo após apresentação de argumentos técnicos, EUA decidiram manter novas taxas.
Foto: Ricardo Stuckert/PR.

Contudo, mesmo após a apresentação de argumentos técnicos, os Estados Unidos decidiram manter as novas taxas, embora sabendo que diversos setores da indústria americana dependem de insumos brasileiros e o aumento das tarifas tende a encarecer produtos para consumidores dos EUA.

EUA negam interferência nas eleições

Face aos comentários de Lula, o Departamento de Estado norte-americano negou que eles tivessem o objetivo de interferir nas eleições.

No artigo, o presidente do Brasil destaca também que a América Latina precisa de "parceiros confiáveis e previsíveis" e não de sanções econômicas ou demonstrações de força militar.

"Estamos prontos a continuar dialogando de maneira aberta e construtiva, como o relacionamento entre dois países como o Brasil e os Estados Unidos requer. Mas o destino do Brasil compete apenas aos brasileiros, sem interferência externa, nem subserviência", completou.

Por fim, para o petista, num momento em que os Estados Unidos restringem o próprio mercado, outros países passam a se apresentar como alternativas para ampliar investimentos e relações comerciais na região.

Newsletter

Escolha suas newsletters favoritas e mantenha-se informado

Colunistas

Edição do Dia