"Nunca antes um secretário de Estado norte-americano havia qualificado o Brasil como um país não-amigo", disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao jornal americano The Washington Post na edição deste domingo (26).
A declaração, segundo o g1, é dada após o Itamaraty negar um pedido de visto solicitado por dois funcionários do Departamento de Estado dos Estados Unidos.
De acordo com o governo brasileiro, eles viriam ao país para questionar a integridade e a confiabilidade do sistema eleitoral.
Em resumo, Lula assegurou, no artigo, que o Brasil não vai aceitar tentativas de usar a relação econômica com os Estados Unidos para pressionar o país por motivos políticos ou influenciar as eleições.
"Tentativas de impor amarras ideológicas à parceria bilateral, ou de instrumentalizá-la para fins eleitorais, não se sustentam (...). Ninguém vai nos derrotar com base em mentiras", completou o chefe do Executivo brasileiro.
Lula aponta "erro estratégico"
Lula ainda sublinha, no artigo, que as tarifas impostas a produtos brasileiros são um "erro estratégico", pois "prejudicam a economia dos Estados Unidos e a parceria com o Brasil".
Na visão do presidente, as importações brasileiras para o país caíram para o menor patamar desde 1997.
Ele também destacou que tentou negociar diretamente com Trump e que o governo brasileiro realizou dezenas de reuniões com representantes americanos.
Contudo, mesmo após a apresentação de argumentos técnicos, os Estados Unidos decidiram manter as novas taxas, embora sabendo que diversos setores da indústria americana dependem de insumos brasileiros e o aumento das tarifas tende a encarecer produtos para consumidores dos EUA.
EUA negam interferência nas eleições
Face aos comentários de Lula, o Departamento de Estado norte-americano negou que eles tivessem o objetivo de interferir nas eleições.
No artigo, o presidente do Brasil destaca também que a América Latina precisa de "parceiros confiáveis e previsíveis" e não de sanções econômicas ou demonstrações de força militar.
"Estamos prontos a continuar dialogando de maneira aberta e construtiva, como o relacionamento entre dois países como o Brasil e os Estados Unidos requer. Mas o destino do Brasil compete apenas aos brasileiros, sem interferência externa, nem subserviência", completou.
Por fim, para o petista, num momento em que os Estados Unidos restringem o próprio mercado, outros países passam a se apresentar como alternativas para ampliar investimentos e relações comerciais na região.