Aliados de Elmano na Alece comemoram anúncio de Cid e preveem acirramento por vaga de vice

Nome de Luizianne cresce no grupo para ser indicada ao Senado, o que pode colocar PSD e MDB em disputa direta.

15 de Julho de 2026 - 18:12
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Legenda: Deputados estaduais da base governista comemoraram a confirmação de Cid como pré-candidato ao Senado e projetam que as discussões sobre o restante da chapa devem ser destravadas.
Foto: Luana Barros.

A confirmação da pré-candidatura do senador Cid Gomes (PSB) à reeleição foi celebrada por deputados estaduais da base governista, nesta quarta-feira (15), durante a sessão presencial na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece). 

A comemoração não está apenas no fato de Cid ser considerado um "nome forte" para integrar a chapa encabeçada pelo governador Elmano de Freitas (PT), o que fez com que houvesse diversos "apelos" dos próprios deputados estaduais do PSB ao senador sobre a pré-candidatura.

Os parlamentares avaliam que a indefinição em torno da vaga do PSB também vinha travando as articulações para o restante da chapa governista. Agora, o foco está na escolha de quem ocupará a 2ª vaga ao Senado e a pré-candidatura a vice-governador. 

O nome da deputada federal Luizianne Lins (Rede) foi o mais citado para a pré-candidatura ao Senado. Alguns parlamentares ouvidos pelo PontoPoder admitiram a "torcida pessoal" pelo nome da ex-prefeita de Fortaleza, mas também reforçaram as vantagens dela concorrer ao cargo.

Para os deputados, a força eleitoral de Luizianne na Capital — onde Elmano perdeu em 2022 — e a presença feminina na chapa pesam a favor da deputada federal. Por outro lado, existem dificuldades, como os antigos embates entre Luizianne e lideranças importantes, como o senador Camilo Santana (PT), e a composição com partidos aliados. 

Isto porque eventual definição pela pré-candidatura de Luizianne coloca PSD e MDB em disputa direta pela vice-governadoria, o que deixaria, pelo menos, uma das legendas insatisfeita. No entanto, parlamentares dos dois partidos evitam falar em risco de rompimento com o Governo Elmano caso não sejam contempladas na chapa majoritária, reforçando o "alinhamento" com a gestão estadual. 

Cid para o Senado, com Júnior Mano na 1ª suplência

O impasse sobre a vaga do PSB ao Senado foi resolvido na terça-feira (14), com a confirmação da pré-candidatura de Cid Gomes à reeleição, com o deputado federal Júnior Mano (PSB) na 1ª suplência. O anúncio foi feito em Brasília, após reunião que contou com a participação do presidente Lula (PT), do governador Elmano e do senador Camilo Santana. 

Inicialmente, Cid havia afirmado que não iria concorrer novamente ao cargo e apoiava que Mano fosse o pré-candidato ao Senado na chapa de Elmano. Contudo, lideranças da base governista, como o próprio Camilo, e parlamentares do PSB vinham fazendo "apelos" para quem Cid voltasse atrás da decisão. 

"Eu sempre defendi essa tese que ele, sem mandato, nosso grupo ficaria muito enfraquecido, porque, queira ou não, o mandato dele fortalece muito. O Cid tem um mandato muito democrático, ele reforça bastante. (...)  Eu já tinha falado muitas, muitas vezes, dezenas de vezes com ele sobre isso. Então achei que foi uma decisão acertada", disse Lia Gomes (PSB). 

O deputado estadual Antônio Granja (PSB) relembrou que, em reuniões entre Cid e os pré-candidatos à Alece, inclusive os que estão ocupando mandato, houve "um apelo de todos que o Cid teria que participar da chapa".  "A confirmação dele já como pré-candidato ao Senador, pra mim, chegou com uma coisa muito boa. Todos ficaram muito satisfeitos, não só nós do PSB", acrescentou.

Presidente da Assembleia, Romeu Aldigueri seguiu linha semelhante a dos correligionários. "Ele atende o chamamento dos grandes líderes, dos deputados, dos prefeitos, dos vereadores, que querem que ele continue esse trabalho e esse legado", reforçou.

Danniel Oliveira (MDB), vice presidente da Alece, pontua ainda que, com a definição do PSB, a expectativa é de que o restante da chapa seja decidida. 

"Aquilo que estava mais complexo dentro dessas decisões, eu acho que já passou. Se era Cid, se era Júnior, quem é que era o candidato do PSB, que a gente já sabia que o PSB ia participar da chapa majoritária, a gente já sabia. O que a gente não sabia era quem era o nome", disse. "Resolvida essa questão, é natural agora de que a gente possa evoluir pra definições das outras posições dentro da chapa", diz. 

Dobradinha Luizianne e Cid?

Nas últimas semanas, houve um crescimento no nome de Luizianne Lins para o Senado. Antes, considerada remota a possibilidade dela integrar a chapa governista, o diálogo recente com figuras como Camilo Santana fizeram crescer a expectativa de que ela seja confirmada na 2ª vaga. 

Lia Gomes cita inclusive o apoio de Cid à ex-prefeita. "Ele mesmo insistiu muito que ela fosse candidata e acho que ela fortalece sim a chapa. É um grande nome. No parlamento, ela é irretocável. (...) É uma mulher que nos inspira, que engrandece a nossa participação, a participação de mulheres na política", disse.

A deputada estadual Jô Farias (PT) também elogia o nome da ex-prefeita para a vaga. "A minha opinião pessoal, e como mulher também, eu torço muito pela nossa atual deputada federal, nossa deputada Luizianne. Eu acho ela uma mulher muito forte, muito importante para a gente, enquanto mulher na política, a voz dela é muito interessante", afirma.

A petista acrescenta, no entanto, que a "linha de frente" das decisões são o governador Elmano e os senadores Camilo e Cid, que "estão fazendo isso com muita maestria e a gente sabe que nós não vamos agradar todo mundo", avalia.

Líder do Governo Elmano na Alece, Guilherme Sampaio (PT) pondera que ainda existem diversos nomes cotados para a pré-candidatura ao Senado. Além de Luizianne, o deputado federal Eunício Oliveira (MDB) e o presidente estadual do Republicanos, Chiquinho Feitosa, estão entre as possibilidades. O PSD também disputa uma vaga na majoritário, com o nome do presidente estadual, Domingos Filho (PSD)

"Os nomes conhecidos estão sendo avaliados, discutidos entre os partidos. Temos também, nos outros partidos da aliança ou que podem ser aliados, nomes também de muito peso a serem avaliados. E isso será pesado e medido ao longo dos próximos dias para a finalização dessa chapa", afirma.

Romeu Aldigueri também preferiu não cravar as definições para a chapa. "O governador Elmano está liderando esse processo, com calma, tranquilidade, nós vamos chegar ao bom termo, sempre unidos em prol da causa do povo cearense", destacou.

'Competitividade' e representatividade feminina

Nos bastidores, contudo, a presença de Luizianne Lins na chapa governista é dada como certa. Parlamentares ouvidos pelo PontoPoder chegaram a comparar o cenário ao de Cid, por existirem, segundo eles, "apelos" de deputados e prefeitos pela pré-candidatura da ex-prefeita.

A força eleitoral de Luizianne em Fortaleza e na Região Metropolitana anima os parlamentares, que consideram que ela irá ser uma boa dobradinha com Cid, que tem mais força no Interior cearense. 

O desenho seria o mais "competitivo", acreditam, para enfrentar a chapa da direita, encabeçada por Ciro Gomes (PSDB), pré-candidato ao Governo do Ceará — que deve ter Capitão Wagner (União) e Alcides Fernandes (PL) na disputa ao Senado

Os parlamentares apontam que a escolha por Luizianne também "resolve" a preocupação sobre ter uma mulher na chapa governista. Antes, havia a perspectiva de que a presença feminina seria na pré-candidatura à vice-governadoria. 

Impasse para a vice-governadoria

O PSD foi o partido mais citado pelos deputados ouvidos pelo PontoPoder, quando eram indagados sobre quem deveria ocupar a vice de Elmano. "É pública a discussão sobre a possibilidade de nomes do PSD para comporem, entre outros, na nossa aliança", disse Guilherme Sampaio.

Entre os nomes citados por ele, está Domingos Filho, a vice-prefeita de Fortaleza, Gabriela Aguiar (PSD) e a deputada federal Fernanda Pessoa (PSD). 

O deputado estadual Firmo Camurça (PSD), por sua vez, afirmou que Fernanda Pessoa "está mais centrada na sua reeleição" e que, apesar da "contribuição significativa" que Gabriela Aguiar traria para a chapa, mas que "acredita muito" na presença de Domingos Filho. 

"É uma das pessoas talhada, qualificada, que já ocupou esse posto, que tem uma dimensão grande, então a gente acredita que é um nome que tem uma estatura para representar este cargo e também contribuir", acrescentou, relembrando o mandato de Domingos Filho como vice-governador na gestão de Cid Gomes.

Independente do nome, Camurça considera que "seja certa é a participação do PSD, pela dimensão do partido". 

O mesmo é projetado por Danniel Oliveira, mas em relação ao MDB. Para o deputado, "é natural" a presença do partido na chapa governista. "Não acredito que nosso partido não estará contemplado nessa aliança e nessa formação", reforçou.

O presidente do MDB Ceará, Eunício Oliveira, é pré-candidato ao Senado e, sobre a disputa, chegou a dizer: "Se quiser ser candidato a senador, eu serei", em entrevista à Live PontoPoder. Danniel Oliveira, no entanto, afirma que o partido não irá colocar o "pé em pescoço (de aliados) dizendo como tem que ser". 

"Não vamos abrir mão de estar na chapa majoritária, isso é natural", disse. "Mas se, de repente, pra contribuir mais na chapa, a vaga da vice, como já é nossa hoje, é a posição mais importante pra que o Elmano tenha uma tranquilidade maior do projeto pra ser reeleito, vamos discutir".

O deputado reforçou que não só o tamanho do partido deve ser considerado, mas também a "parceria política" com o governador Elmano, citando a eleição de 2022. Naquele ano, MDB indicou a então candidata a vice, Jade Romero. O PSD, por sua vez, tinha Domingos Filho como candidato a vice de Roberto Cláudio (União). 

"Nós estávamos naquela primeira hora, e na chapa majoritária, principalmente, que era só o PT e MDB, não tinha outro partido. (...) Eu acredito, de tudo o que foi feito, de tudo o que foi construído, de que naturalmente estaremos na chapa".

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