Editorial: Mais água para o Ceará

A pandemia monopoliza atenção e se impõe sobre as pautas de discussão como um acontecimento total. Não permite que seja ignorada ou que deixe o campo de visão no debate público. Não à toa, é fato bem conhecido o estado geral e tensão sob o qual todos vivem em tempos de quarentena. Boas notícias, portanto, são agora ainda mais oportunas.

Uma delas, há muito aguardada, é a da chegada das águas do Projeto de Integração do Rio São Francisco (Pisf) ao Ceará. Em meados de junho, enfim, as águas devem começar a encher o reservatório de Jati, para de lá irrigarem outras paragens do Ceará. Os atrasos foram uma constante no projeto, cujas obras foram iniciadas em 2007.

No Ceará, o reservatório de Jati, na região do Cariri, ficou pronto à espera das águas. Datas foram marcadas e remarcadas ao longo de 2019, até que chegada foi prometida para março. O gargalo da vez foi uma série de problemas técnicos na barragem de Negreiros, em Salgueiro (PE). Atrasou o envio da água para o reservatório pernambucano de Milagres, última barragem a receber os recursos hídricos da transposição antes destes chegarem ao Ceará.

A nova projeção do Governo Federal foi divulgada pelo ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho. Os ajustes finais, necessários para viabilizar o escoamento da água, serão concluídos ainda em maio. As águas da Transposição vêm ao Ceará através do Eixo Norte do Pisf, o mesmo que leva recursos aos vizinhos Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. As obras deste eixo do Pisf estão em seus últimos estágios - os dados oficiais dão conta de cerca de 98% dos trabalhos estruturais já foram concluídos.

Ainda segundo as projeções do Ministério do Desenvolvimento Regional, o reservatório cearense será abastecido pelos dois meses seguintes e, em agosto, seu conteúdo será transposto ao Cinturão das Águas (CAC), empreendimento responsável por levar os recursos hídricos de Jati ao Castanhão, para que possa abastecer cerca de 4,5 milhões de pessoas.

É importante que estes novos prazos sejam assegurados, para que a água do leito do São Francisco chegue o quanto antes ao seu novo destino. O Ceará, por sua própria geografia, vive permanentemente às voltas com o desafio de manter suas segurança hídrica. É permanente a preocupação de promover ações capazes de manter as iniciativas agropecuárias e industriais, bem como a população, em especial nas regiões mais secas.

É fundamental que se garantam recursos para as obras do Cinturão das Águas. O status atual do projeto permite levar as águas que passarem por Jati a outros destinos no Estado, mas alguns lugares dependem que os trabalhos avancem sem mais demora. Dos 145 km do CAC, 70% já estão prontos, de acordo com a Superintendência de Obras Hidráulicas (Sohidra). Estima-se que os outros 30% podem ser concluídos em 18 meses de trabalho, caso os recursos federais e estaduais sejam garantidos e as obras sigam sem interrupção.

A história recente do Ceará, com um longo período de severa estiagem, serve como alerta para que, mesmo nos desfavoráveis tempos da pandemia, não se interrompa as ações de combate a seca. São sobremaneira importantes aquelas ações que voltadas para o reforço estrutural, com benefícios duradouros.


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