"Venda" de Éverton

Foto: AFP

O cearense Éverton, revelado pela base do Fortaleza, titular do Grêmio e da Seleção Brasileira, talvez, tenha sido o jogador mais “negociado” dos últimos tempos, sem sair de Porto Alegre.

A lista de times do exterior interessados no atacante já é bastante vasta, mas as negociações não fecham.

E o que nos interessa nesse assunto é o seguinte: “Porque o Fortaleza não se anima muito com a venda de Éverton”. Trata-se de manchete de uma notícia sobre a possível transação do jogador.

Isso se daria pelo fato do tricolor não colocar a mão em cerca de R$ 6 milhões a que tem direito com a venda do atleta, como clube formador, pois esta quantia seria destinada à quitação de um empréstimo com o ex-presidente e, hoje, senador Luís Eduardo Girão (Podemos-CE).

Pelos últimos cálculos, se o negócio for feito com o Napoli, da Itália, caberia ao Fortaleza mais de R$ 15 milhões.

Como Girão não exige nenhum tostão de juros pela sua parte, outros R$ 4 milhões seriam destinados a alguns sócios na empreitada, sobrando mais de R$ 4 milhões para o tricolor.

Como estar “desanimado”, com um resultado desse?

Esse empréstimo do ex-presidente Girão se deu, quando o Fortaleza estava numa draga danada e na tentativa de voltar à segunda divisão do futebol brasileiro.

E foi, a partir daí, que aconteceu uma arrancada espetacular do Leão do Picí. Uma ascensão não somente dentro de campo, mas principalmente fora dele, em termos de estruturação profissional.

Há um tempo razoavelmente pequeno, nossos grandes times viviam de bilheteria e amparados pelo mecenato. Quem dispusesse de boa grana sobrando, tomava conta de um grande clube cearense, sem maiores problemas. Dizia-se que se meter em futebol não era tarefa de gente séria e responsável.

Tem uma história interessante nesse sentido da coisa, quando um desses mecenas prometeu um aporte no clube, desde que tudo fosse mudado, a partir do treinador, cujo nome nem fora anunciado.

O dinheiro (acho que R$ 200 mil, à época) pintaria na hora do acordo fechado e um funcionário do clube foi imediatamente escalado, sacola na mão, para pegar a grana.

O vexame é que o treinador assumiu, o “investidor” não cumpriu o combinado e, até hoje, estão esperando por esse dinheiro.

É que um familiar do candidato a novo “dono temporário” do clube fincou pé e disse que, da firma familiar, não sairia nenhum tostão para time de futebol.

Funcionava assim: ou doava a grana e esquecia ou emprestava e perdia.

Esse tempo se foi e, felizmente, nos novos tempos do nosso futebol, as coisas mudaram. Muito e para melhor.