Se o futebol brasileiro quiser voltar a ser competitivo
Confira a coluna desta quinta-feira (13) do comentarista Wilton Bezerra
Se liga, Brasil: Se o futebol brasileiro quiser voltar a ser competitivo, tem que criar sua nova versão dentro do contexto atual. Achar que, sem mais nem menos, vai doutrinar o futebol do resto do Mundo (como em 1970) é delírio. Temos cinco títulos, mas não somos os atuais camoeões do Mundo. Foi-se o tempo em que o futebol do Brasil só perdia para ele mesmo.
NELSON RODRIGUES
Me perguntam sobre Nelson Rodrigues, a quem costumo citar em minhas crônicas. Na dramaturgia e na crônica, inclusive, esportiva, ele foi um gênio. No seu tempo e no seu texto, o compromisso com o fato inexistia. Nelson oferecia uma versão deliciosa dos acontecimentos, o que alimentava o imaginário popular. O futebol que saia de sua cabeça era fantástico, inigualável.
JEITO DE JOGAR
Treinador orienta o jogador para guardar posição, como ponteiro, e receber o lançamento nas costas do lateral. O jogador faz o contrário, volta para marcar o lateral e impossibilita a jogada, como o técnico pediu. "Professor, entendi o que o senhor pediu. Mas, meu corpo corre instintivamente para colar no lateral, porque eu faço isso desde garoto, na base". Isto é, quando se trata de fazer algo diferente no futebol, falta tempo para treinamento. Culpa do calendário absurdo. Sem solução.
NÃO É BEM ASSIM
Quando na Copa do Mundo da Inglaterra, em 1966, o sistema 4-4-2 se estabeleceu, "determinou-se" a extinção dos ponteiros no futebol. Não engoli essa conversa. No jogo posicional de Guardiola, anos depois, os pontas ficavam abertos para dar amplitude ao ataque. No tempo do Barcelona, Messi, por exemplo, era ponta, pela direita, na maior parte do tempo. Ficar aberto, abrir o campo, continuam sendo atribuições, também, dos alas. Em verdade, os pontas nunca foram extintos, como se proclamou.