Com identidade, juventude e jogo coletivo, Espanha volta a ser campeã do mundo após 16 anos

Roja conquista a Copa do Mundo com um futebol dominante e preciso, como foi em 2010

Escrito por
Vladimir Marques vladimir.marques@svm.com.br
(Atualizado às 22:28)
Legenda: A Espanha fez uma Copa dominante e com uma geração grande de jogadores
Foto: DIVULGAÇÃO / FIFA

A Espanha é bi campeã da Copa do Mundo após uma campanha dominante, com a marca do futebol do país, com técnica, toque de bola refinado e domínio do adversário. Com uma geração menos genial que 2010, mas com um futebol mais bonito ao longo da campanha, a Fúria se consagrou.

O maior desafio da Espanha era jogar no ciclo de Copas do Mundo o que joga em Eurocopas, competição continental na qual é tetracampeã.

E como atual campeã da Eurocopa, vencendo há dois anos de forma contundente, inclusive a mesma França, o objetivo era repetir as atuações na Copa do Mundo. E o time conseguiu.

Afinal, a base da equipe era praticamente a mesma, com muita qualidade coletiva.

O time funciona com uma precisão impressionante, controlando o jogo com posse de bola e posicionamento perfeito. Como foi em 2010. Se o time de hoje não tinha os incríveis Iniesta, Xavi. Busquets e Xabi Alonso para controlar o jogo no meio, um trio surgiu.

Os jogadores se movimentam para dar opção de passe e obter vantagem numérica na jogada. Assim, o jogo parte do meio campo: Rodri, Ruiz e Olmo fazem o tridente controlador, mas Baena e Yamal nas pontas, Porro e Cucurella nas laterais se aproximam e fazem o time funcionar. Até o falso 9, Oyarzabal, os zagueiros Curbasí e Laporte, e o goleiro Simón participam da construção.

Legenda: Lamine Yamal é um simbolo dessa geração de ouro campeã da Espanha
Foto: DIVULGAÇÃO / FIFA

E o pilar defensivo da Espanha é ter a bola. Isso mesmo, ela se defende tendo a bola, por isso sofreu apenas um gol até a decisão.

Quando é atacada, mantém a segurança com muita mentalidade e organização, com todos participando. Os laterais Cucurella e Porro, fizeram uma Copa espetacular.

A fase de grupos foi apenas regular, como se a Espanha estivesse apenas 'aquecendo' para nas eliminatórias mostrar toda sua qualidade.

As vitórias contra as favoritas Portugal e França, mostraram a força de uma equipe muito bem treinada e consciente do domínio que pode exercer.

Na semifinal contra a França, que jogava o melhor futebol da Copa com o trio 'maravilha' - Olise, Dembele e Mbappé - mostrou mais uma vez controle e venceu com uma tranquilidade impressionante.

Outro mérito do técnico De La Fuente é o time funcionar sem que Yamal e Nico Willians estivessem em um bom momento. Ambos chegaram na Copa em nível físico aquém, com o time perdendo agressividade e verticalidade.

Ainda assim, o time foi campeão, com Baena no lugar de Nico e um Yamal menos decisivo, mas mais cerebral, participando mais da construção do jogo.

Aposta em jovens

A formação de jogadores da Espanha é peculiar. Desde cedo, nas categorias de base de Barcelona e Real Madrid, os garotos aprendem a jogar no estilo da seleção espanhola, em todas as categorias, principalmente a do Barça.

E com uma forma tão definida de jogar, a Espanha chega a uma final de Copa do Mundo muitos atletas conquistando títulos como a Eurocopa Sub-19 e Sub-21 antes de chegarem ao time principal. O técnico Luis de la Fuente integrou naturalmente vários jovens talentos à equipe principal.

Nas últimas duas participações da La Furia nos Jogos Olímpicos, quando foi medalhista de Ouro, em 2024, e prata, em Tóquio, 12 jogadores presentes no elenco também estão na equipe que avançou à decisão do Mundial de 2026.

Olímpiadas de 2024 (ouro):

Joan García, Pau Cubarsí, Marc Pubil, Alex Baena e Eric García.

Olímpiadas de 2020 (prata):

Unai Simón, Marc Cucurella, Martín Zubimendi, Pedri, Mikel Merino, Mikel Oyarzabal, Dani Olmo e Eric García.

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