Análise: Ceará tropeça com atuação defensiva preocupante e chances perdidas no ataque
Vovô não consegue repetir dinâmica de jogo que deu certo em goleada na última quarta-feira, apresentando neste sábado contra o Sampaio Corrêa erros defensivos e chances perdidas em demasia
Depois de golear o Globo por 5 a 0 na última quarta-feira (12), jogando bem e com vasto repertório ofensivo, o Ceará enfrentou o Sampaio Corrêa no Castelão querendo manter o nível daquela atuação, ainda que o adversário fosse mais forte, da Série B do Brasileiro.
E a torcida voltou a comparecer em bom número - 13 mil - mas viu uma atuação abaixo da esperada. Se diante do Globo/RN o setor ofensivo funcionou e o defensivo praticamente não teve trabalho, dessa vez foi tudo diferente. E as duas situações podem ser explicadas pela maior qualidade do adversário e pelas mudanças de escalação promovidas por Tiago Nunes.
Para o jogo deste sábado, o treinador manteve intactas as peças no setor ofensivo: Mendoza, Lima, Vina e Zé Roberto.
Mas mudou tudo lá atrás, tirando os laterais Victor Luiz e Nino Paraíba, o zagueiro Gabriel Lacerda, escalando Michel Macêdo, Kelvyn, Lucas Ribeiro e Marlon, este no lugar do volante Richard, suspenso pelo 3º cartão amarelo.
Não funcionou
E claramente a dinâmica defensiva com os laterais e no combate no meio campo não funcionaram, com o Sampaio Corrêa tendo muito espaço para criar jogadas com seu contra-ataque rápido.
O Ceará não conseguiu marcar o Sampaio nem no nascedouro das jogadas, nem quando os pontas eram acionados. A marcação era sempre atrasada.
E quando tinha a bola, a equipe não conseguia furar os bloqueios defensivos do Sampaio, geralmente com tomadas de decisões erradas.
Do quarteto ofensivo escalado, Mendoza e Zé Roberto foram os melhores, criando algumas oportunidades, mas Lima e Vina estiveram abaixo e erraram tudo que tentaram.
Zé Roberto mais uma vez se movimentou, teve chances para marcar, mas perdeu um gol incrível. No passe perfeito que deu para Erick, o companheiro perdeu o gol após driblar o goleiro e ver o zagueiro tirar em cima da linha.
Defesa com "apagões"
E a defesa? Na etapa final foi ainda mais preocupante a atuação, com o Sampaio Corrêa levando vantagem nos duelos individuais e aproveitando os "apagões" defensivos na reta final do jogo, com João Ricardo salvando milagrosamente a equipe em dois lances e tendo sorte em chute no travessão de Eron.
A tentativa de Tiago Nunes em deixar o time mais ofensivo com Nino Paraíba na direita e improvisando Michel Macêdo na zaga não deu certo, deixando a defesa vulnerável, por mais que Lucas Ribeiro não estivesse em uma grande noite.
Em suma, o empate foi frustrante para o Ceará e sua torcida que compareceu ao Castelão, já que a expectativa era de nova vitória e boa atuação. As oscilações no início de temporada são normais, as experiências dos treinadores também, e jogos como os de hoje, servem para análise e aprendizado para embates futuros. E conhecendo bem a torcida alvinegra, ela quer logo um time base, um padrão bem definido de jogo e o fim de testes.
É esperar o clássico contra o Sport para ver qual Ceará estará em campo: o da goleada de quarta-feira ou o cheio de problemas deste sábado.