O que é BESS e por que essa sigla deve mudar o mercado de energia
Tecnologia de armazenamento com baterias avança no Brasil e promete maior segurança e eficiência para o setor elétrico.
Quem acompanha o mercado de energia e ainda não ouviu falar da sigla BESS, com certeza verá este nome surgir de forma mais recorrente. O termo se refere a Battery Energy Storage System, sistemas de armazenamento de energia por baterias, uma tecnologia que ganha protagonismo em meio à transição energética global.
Projetos com BESS permitem armazenar energia gerada por fontes intermitentes, como solar e eólica, e liberá-la quando há maior demanda ou falhas na rede elétrica.
Segundo Joaquim Rolim, gerente de desenvolvimento sustentável da Fiec (Federação das Indústrias do Ceará), o BESS traz grandes perspectivas para o setor elétrico Brasileiro.
"Podemos afirmar isso com base no que já ocorre no mundo, com 267 GW já instalados, sendo que 41% deste total foram instalados em 2025. No Brasil estamos praticamente zerados, ainda iniciando o processo", comenta o especialista.
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Preço das baterias despenca
A principal razão deste crescimento expressivo, globalmente, tem sido o preço das baterias, que teve redução de 83,6% nos últimos 10 anos.
"Outro grande impulsionador é a necessidade, pois as baterias trazem grandes benefícios como: armazenar excedentes de energia solar e eólica durante o dia e utilizar no horário de pico do uso da energia no período noturno, reduzir picos de demanda de energia, e atuar como backup para sistemas críticos, como indústrias, data centers, hospitais", exemplifica Rolim.
Em alguns locais, como na California (EUA), as baterias já conseguem suprir cerca de 20% da energia no horário de pico (início da noite), evitando o uso de energia mais cara e poluente.
O avanço desse tipo de armazenamento no país, portanto, torna-se um componente estratégico para garantir estabilidade e segurança no fornecimento, sobretudo em meio à crise do curtailment.
"Estes armazenamentos poderão propiciar a redução dos cortes de geração, o chamado curtailment, que tantos prejuízos têm trazido. Basta citar que perdemos cerca de 20% de toda a energia renovável que poderia ter sido produzida no Brasil no ano passado", pontua.
Como funciona um BESS e quais são os benefícios
Um sistema BESS normalmente é composto por baterias de íons de lítio, inversores e sistemas de controle automatizado. Ele pode operar em diversas funções:
- Armazenar excedente de energia solar durante o dia para uso à noite;
- Fornecer resposta rápida a variações de frequência na rede;
- Atuar como backup durante apagões;
- Postergar investimentos em infraestrutura de transmissão.
Além de apoiar a confiabilidade da rede, os sistemas BESS contribuem para a redução de custos operacionais das distribuidoras e facilitam o uso eficiente da geração distribuída em residências e empresas.
Grandes empresas já iniciaram projetos com BESS no Brasil. Um dos maiores em operação está no Rio Grande do Norte, com capacidade de armazenar 1 MW de energia, suficiente para abastecer cerca de 2 mil residências por uma hora.
Segundo dados da BloombergNEF, o Brasil tem potencial para instalar até 12 GW de capacidade de armazenamento com baterias até 2030, principalmente em função da crescente participação das fontes renováveis e da modernização da matriz elétrica.
"O mais importante a ressaltar é que a implementação de procedimentos regulatórios, que urge ser feita, pois estamos atrasados em relação ao restante do mundo, será em benefício do consumidor, pois poderá minimizar custos extras provocados pelas bandeiras tarifárias", conclui Joaquim Rolim.