Após euforia, clima econômico azeda com caos na política

Mercado acusa as fortes pancadas sentidas com resultados ruins em julho e agosto

Legenda: O real voltou a se desvalorizar em meio à alta da inflação
Foto: Shutter

Durou pouco o clima de empolgação com o horizonte econômico. A fábula de um Brasil possante caiu por terra com o choque de realidade que o mercado insistiu em não ver pelo tempo que pôde. 

Agora, muitos solavancos depois, não há mais como manter-se adormecido para o quadro nebuloso na economia.

Após experimentar o olimpo em junho, a Bolsa azedou desde então. Em julho, queda de 4% no Ibovespa, seguida de outro tombo de 3% em agosto (acumulado até o dia 23).

O real voltou a derreter. Perdeu quase 5% sobre o dólar em julho e 3,27% em agosto.

Múltiplos fatores levaram ao engavetamento do otimismo com o desempenho da atividade econômica, embora a retórica do ministro Guedes ainda tente vender a imagem de uma máquina engatando marchas vigorosas.

Oceano de instabilidade

A instabilidade do terreno político, com o tensionamento das relações entre os poderes, e a geração em profusão de crises institucionais pelo presidente da República impedem a solidificação dos alicerces necessários aos grandes investimentos e à consequente criação de empregos e irrigação da renda.

Haja coragem para investir num país cujo mandatário tem por principal ocupação aviltar o pleno funcionamento das instituições e tumultuar um processo eleitoral, mais de um ano antes da votação.

Há que ser muito ousado para investir num Brasil que consegue antever nada senão o caos político para 2022; num Brasil que, por ora, é visto se perguntando se haverá eleições no ano que vem.

Para além desta novela distópica, parece que o mercado, enfim, enxergou que o Governo, populista até as últimas células, está disposto às aventuras fiscais em prol da popularidade do presidente, que anda caindo pelas tabelas. Nada que qualquer outro governo não fizesse, frise-se.

Malabarismo fiscal

O malabarismo de Guedes para garantir o Auxílio Brasil é prova disso. E as torneiras devem jorrar mais dinheiro para garantir o nada barato suporte político do centrão e medidas que promovam a popularidade do chefe.

No mais, soma-se a este caldeirão uma cena inflacionária arisca (previsões já passam de 7% para 2021), com os preços subindo no compasso dos mais enérgicos alpinistas.

O custo de vida está de doer, e nem de longe os indicadores oficiais, como o IPCA, captam a crua realidade. No entanto, esta pauta vem sendo engolida por assuntos inócuos e bem menos urgentes.

Ninguém se propõe a discutir o problema de forma republicana, e, com isso, toda semana, o trabalhador toma um susto novo quando vai ao supermercado ou ao posto de combustível.

Com a melhora nos indicadores da pandemia, o Brasil deveria agora acelerar com ímpeto para um cenário econômico de bonança, mas continua amarrado a problemas fajutos.

 



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