Andre Agassi: "Negócios são simples, pessoas é que são complicadas"

Tenista ex-número 1 do mundo falou sobre carreira, aposentadoria, João Fonseca e sua fundação filantrópica em painel no evento da XP.

Escrito por
Victor Ximenes producaodiario@svm.com.br
Legenda: Andre Agassi na Expert XP 2026.
Foto: Reginaldo Martins/Divulgação.

Em painel na Expert XP 2026, em São Paulo, o ex-tenista Andre Agassi, oito vezes campeão de Grand Slam e ex-número 1 do ranking mundial, resumiu sua visão sobre o mundo business em uma frase direta: "negócios são simples, pessoas é que são complicadas".

Falando a um enorme público, no palco principal do evento, Agassi defende que o primeiro filtro para qualquer parceria é o caráter das pessoas envolvidas.

"Você nunca vai fazer um bom negócio com gente ruim. Pode até fazer um mau negócio com gente boa, mas nunca vai fazer um bom negócio com gente ruim", afirmou.

Critérios para escolher parceiros

O ex-atleta disse que, depois do teste de caráter, costuma avaliar a autenticidade do próprio envolvimento em um projeto antes de investir. "Eu acredito nisso? Estou conectado a isso? Quero ver isso dar certo? Estou confortável em falhar nisso?", ressaltou, acrescentando que prefere fracassar em algo que valha a pena do que ter sucesso em algo que não lhe diga respeito.

Agassi faz a mesma leitura sobre a formação de equipes esportivas, comparando a escolha de um time à de um sócio ou de um parceiro de vida. Para ele, montar e liderar um grupo depende de autoconhecimento: "Para escolher bem sua equipe, para liderar sua equipe, você precisa se conhecer, precisa ser objetivo sobre suas forças e fraquezas".

João Fonseca e o conselho sobre conselhos

Questionado sobre qual orientação daria a um jovem talento do circuito hoje, citou o tenista brasileiro João Fonseca como exemplo de atleta que está trazendo algo novo ao jogo, na esteira de outros jogadores que "obrigam o esporte a se adaptar".

O conselho que daria a ele foi direto: "não escute quem quer te dar conselhos. Questione, coloque à prova, pense sobre isso, processe".

Agassi acrescentou que o desafio de um jovem como Fonseca não é apenas técnico, mas de gestão de expectativa. "Eu diria: sei que é divertido ser grande, mas não tente ser grande. Tente ser melhor que uma pessoa", disse, defendendo que a busca isolada por grandeza desperdiça energia que poderia ser aplicada em ganhos mais concretos, partida a partida.

Fundação e o modelo de investimento em educação

Ao encerrar a carreira, aos 36 anos, com os filhos ainda pequenos, Agassi disse ter decidido se dedicar à criação da Andre Agassi Foundation e da rede de escolas ligada a ela, motivado por ter visto, ainda quando jovem, crianças em áreas de pobreza sem acesso à educação de qualidade nos Estados Unidos. Ele contou ter tirado uma hipoteca para abrir sua primeira escola charter, modelo americano que combina financiamento público por aluno com gestão privada sem fins lucrativos.

A fundação hoje subsidia cerca de US$ 5 mil por criança, atendendo 1.200 alunos por ano. Para escalar o modelo além da própria fundação, de US$ 115 milhões, Agassi criou um fundo de infraestrutura educacional que não doa recursos a operadores de escolas, mas investe neles: o fundo constrói o prédio, mantém a operação nos primeiros anos e depois vende o imóvel ao próprio operador, com retorno financeiro mais moderado do que o de um fundo tradicional.

Segundo ele, desde 2011 o fundo já destinou mais de US$ 1,3 bilhão e construiu cerca de 130 escolas em regiões de baixa renda dos Estados Unidos.

O jornalista viajou a São Paulo a convite da XP.