Uma geração sem craques geniais

Leia a coluna de Tom Barros

Escrito por
Tom Barros producaodiario@svm.com.br
Legenda: A lenda do futebol brasileiro Pelé beija uma bola, durante uma apresentação em Leipzig, na véspera do sorteio final da Copa do Mundo de futebol Fifa 2006.
Foto: FRANCK FIFE / AFP

Sinto-me um privilegiado. Em 1957, aos dez anos de idade, tive a oportunidade de ver, ao vivo, bem de pertinho, a maior e mais qualificada de todas as gerações do futebol brasileiro. A que revelaria ao mundo dois craques geniais: Manoel Francisco do Santos e Edson Arantes do Nascimento. 

O batismo, nos campos de várzea de Pau Grande, fez, de Francisco, o Garrincha. E, nos campos de várzea de Bauru, fez, de Edson, o Pelé. Os dois, pelos gramados do mundo, saíram a desfilar uma arte incomparável. Arte de gols, dribles, criatividade e improvisação como nunca se tinha visto. 

Hoje, há craques. E, por mais incrível que pareça, mais pelas bandas da Europa do que pelas bandas de cá. Mas, em nenhum lugar, há craques geniais. Não foi dada às novas gerações de torcedores a graça de conviver com a magia brasileira que por mais de duas décadas deslumbrou o mundo. 

Quando vejo os jovens de hoje contestando o que se diz sobre Garrincha e Pelé, tenho piedade deles. Então recorro a uma passagem bíblica: “Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem”. 

Referências 

Há bons jogadores no futebol brasileiro. Mas sempre houve bons jogadores no futebol brasileiro. Estão faltando os craques geniais. Mais uma vez, sem pudor, recorro ao passado. Encontro, nas décadas de 1940, 1950 e início de 1960, um Jair Rosa Pinto, o Jajá da Barra Mansa. Foi uma craque, muito craque. Quase genial. 

Aridez 

Não estou de má vontade. A realidade, porém, é cruel. Os resultados da Seleção Brasileira nos últimos vinte anos são uma prova inequívoca do difícil momento ora vivido. O último título mundial da Canarinho foi em 2002 na Copa do Mundo Japão/Coreia. Uma aridez que preocupa. 

Culpados 

Mexe daqui, mexe dali. Não encontraram uma justificativa para a aridez. Então, a cúpula da CBF entendeu que o problema da aridez estava nos treinadores brasileiros. Pobres treinadores. Desaprenderam. Aí torraram vivos nas labaredas da injustiça Ramon Menezes, Fernando Diniz e Dorival Júnior. 

Fila 

Antes dos treinadores citados no tópico anterior, a fila teve Dunga, Mano Menezes e Tite (duas Copas do Mundo). Todos caíram em desgraça. Tentaram ressuscitar Luiz Felipe Scolari para a Copa de 2014. Felipão sofreu a goleada (1 x 7) da Alemanha. Nunca mais foi nada. 

Penta 

Na Copa de 2002, a última conquistada pelo Brasil, a Canarinho tinha Cafu, Rivaldo, Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho Gaúcho, Roberto Carlos... Craques. Nenhum, porém, tão geniais quanto Manoel Francisco dos Santos e Edson Arantes do Nascimento. Ainda assim fizeram a diferença.  

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