Um Vojvoda alvinegro

Leia a Coluna desta sexta-feira (22)

Escrito por
Tom Barros tom.barros@svm.com.br
Legenda: Vojvoda treinará o Santos após deixar o Fortaleza
Foto: Thiago Gadelha / SVM

No mundo do futebol há o que eu costumo chamar de fusão de imagens. Assim, alguns jogadores e técnicos marcam tanto a vida de um clube, que não há como separá-los, já pelas conquistas e pela história. Formam uma única essência. E assim ficam registrados nos anais. 

O técnico argentino, Juan Pablo Vojvoda, comandou várias equipes. No rol, Newell’s Old Boys, Defensa y Justicia, Talleres, Huracán. Unión La Calera (Chile) e Fortaleza. Mas foi no Pici o milagre da consubstanciação. Dois corpos na mesma substância tricolor. No mesmo ideal, no mesmo ritmo cardíaco. Dois em um. 

De 2021 a 2025, o Fortaleza edificou-se à imagem e semelhança dele. Sim, à imagem e semelhança de seu treinador. À beira do gramado, o Vojvoda tricolor, o Vojvoda vencedor, o Vojvoda líder, o Vojvoda ídolo. Tão ídolo que foi dolorido mandá-lo embora. Foi, mas ficou tricolor na memória. Um tricolor para sempre. 

Agora, nestas voltas que a vida dá, vai surgir à beira do gramado o Vojvoda alvinegro. Ele vai levar a sua magia a um time igualmente mágico: o Santos. Se vai haver um segundo milagre da consubstanciação, só Deus sabe. 

 

Coisa rara 

 

É muito difícil haver um processo de perfeita interação entre clube e treinador, tal como houve entre o Fortaleza e Vojvoda. O próprio rompimento aconteceu com lágrimas e declarações de amor de parte a parte. Ficou no ar uma espécie de fim, mas sem ponto final.  

 

Término 

 

Por mais paradoxal que pareça, um término de relacionamento com os corações partidos. Um término imposto pelo destino, que une e separa as pessoas, independentemente de suas vontades. Lembrei da canção gravada por Leila Silva: “Vamos falar a verdade sobre a felicidade que o destino nos roubou”. 

 

Separados 

 

Hoje, pouco mais de um mês depois da saída de Vojvoda, o Fortaleza e o treinador ainda buscam acertar seus novos rumos. O Fortaleza tateia sob o comando de Renato Paiva. E Vojvoda, após refletir muito e recusar alguns convites, resolveu abraçar a causa santista. Agora, ele e Neymar, no mesmo barco, são alvinegros.   

 

Retorno 

 

No desejo de muitos tricolores, embora de forma velada, ainda pairava o sonho de um retorno de Vojvoda ao Pici. Sonho não apenas de boa parte da torcida, mas também de alguns dirigentes, após uma revisão sobre o ato que excluiu do clube o melhor treinador do Leão em todos os tempos. 

 

Nova imagem 

 

Agora, o Vojvoda é alvinegro, ou seja, exatamente as cores de seu maior rival, quando trabalhou no futebol cearense. Não mais o Vojvoda com as cores que o identificaram nos gloriosos tempos no Pici. Aí está o Vojvoda em preto e branco, manto imortalizado pelos geniais Dorval, Mengálvio. Coutinho, Pelé e Pepe. Boa sorte! 

 

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