Só a desunião explica a crise tricolor

Leia a coluna de Tom Barros

Escrito por
Tom Barros producaodiario@svm.com.br
Legenda: Marcelo Paz e Eduardo Girão eram aliados desde 2017, quando atuavam juntos na diretoria do Fortaleza
Foto: Foto: Thiago Gadelha

É bíblico (Mateus, 12,25): “Qualquer reino dividido contra si próprio, será arruinado. E qualquer cidade ou família dividida contra si mesma, não ficará de pé”. A colocação feita por Jesus Cristo é sábia. Na prática da vida o que mais se vê é a derrocada por falta de entendimento. 

Quando o Fortaleza resolveu unir forças, saiu das humilhações da Série C. Na época, o comandante da retomada foi o então presidente do clube, Eduardo Girão, hoje senador da República. Ele passou o bastão ao presidente Marcelo Paz. Então a família tricolor, unida, levou o time para a Série A e para a Libertadores. 

De repente, o timaço vitorioso, duas vezes quarto melhor do Brasil, entrou em deterioração. Não conseguiu sustentar sequer o ídolo Juan Pablo Vojvoda, o melhor técnico da história tricolor. Somente algo muito sério poderia estar acontecendo nos bastidores. 

Agora, sob a ameaça do rebaixamento, o Fortaleza expôs as chagas da discórdia e suas terríveis consequências. No lugar da harmonia, o boicote. No lugar das vitórias, o fracasso. Só mesmo a desunião explicaria o caos atual. 

Exposição 

A princípio, não compreendi a razão de tamanho retrocesso. Agora, diante das exposições feitas por Eduardo Girão e Marcelo Paz, vejo que os amigos de ontem transformaram-se em adversários de hoje. Cada um passou a rezar por sua própria cartilha.  

Interesses 

Com o passar dos anos, Marcelo Paz e Eduardo Girão seguiram caminhos antagônicos.     Lamentavelmente, quando há o divórcio no pensar e no agir, quem sai perdendo é o clube. Aí está o Fortaleza praticamente rebaixado. Reino dividido. Não leva a nada o atual conflito de interesses. 

Separação 

Os interesses pessoais não podem estar acima dos interesses do clube. Quando isso acontece, surgem os embaraços. As vaidades afloram e geram reações negativas. O ambiente fica tão carregado que nem mesmo os próprios dirigentes percebem o estrago daí decorrente. 

Surpresa 

Jamais imaginei ver o que estou vendo agora: Marcelo Paz e Eduardo Girão em conflito. Há alguns anos, ambos estavam movidos pelo mesmo ideal. Testemunhei a pacífica passagem de comando de Eduardo para Marcelo. Uma sucessão serena. Tudo parecia sólido e inabalável. 

Enganosas 

Como são frágeis as inclinações humanas. As aparências enganam. Os abraços, os sorrisos e as tapinhas nas costas nem sempre são a certeza de um amanhã unido. Às vezes, não passam de manifestações ocasionais, enganosas, vazias, conduzidas mais por impulsos do que por sentimentos bons. 

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