Risco: De ídolo a presidente do clube

Alguns cronistas esportivos do Sudeste levantaram a bandeira de ver Rogério Ceni presidente do São Paulo. Não seria coisa para já. Um deles defende que primeiro ele retornaria como técnico. Depois ingressaria na política do clube, lançando sua candidatura a presidente. Não sei de onde partiu essa ideia. Criar situações qualquer um pode criar. Questão é saber se Ceni foi consultado. Uma coisa é ser ídolo como atleta. Outra, bem diferente, é assumir as responsabilidades como presidente de um clube de futebol. Roberto Dinamite é até hoje o maior ídolo do Vasco da Gama em todos os tempos. Poucos sabem que Roberto é também e ainda o maior artilheiro da Série A do Campeonato Brasileiro de todos os tempos. De 1973 a 1988, marcou 190 gols pelos campos do Brasil. Amado e idolatrado pela torcida cruzmaltina, Dinamite padeceu terrível desgaste quando foi eleito presidente do clube carioca. Herdou uma grave crise financeira. Conquistou apenas um título: o da Copa do Brasil de 2011. E nada mais. Passou a ser muito criticado. A torcida resolveu promover protestos sérios, deixando para trás tudo o que ele tinha feito como jogador de futebol. Ir de ídolo a presidente é uma operação de risco.

Diretor
No ano de 2010, Zico, o “Galinho de Quintino”, maior ídolo do Flamengo em todos os tempos, assumiu no clube o cargo de diretor executivo. Suportou apenas quatro meses. Pediu para sair. Numa carta aberta explicou que estava sendo atacado injustamente dentro do próprio clube. Assim, ele não conseguia realizar o que planejara. Quando sentiu o tamanho do desgaste, saiu logo. Foi inteligente.

>Diferença
Uma coisa é edificar uma história em campo, onde a magia dos gols ou das defesas (caso de Rogério Ceni) leva o atleta ao patamar de ídolo ou de mito. Quando encerra esse ciclo, o atleta precisa ter muito cuidado. Ingressar na vida política do clube requer avaliação criteriosa. Habilidade em campo é uma coisa. Habilidade política é outra bem diferente.

Dois maiores
Vejam que aqui coloquei os exemplos dos maiores ídolos dos times do Vasco da Gama e do Flamengo. Com carisma e belíssimas trajetórias em campo, os dois tinham tudo para dar certo na política do clube, pois estavam amparados pelas torcidas que os idolatravam. As experiências foram negativas, dolorosas. Fica um alerta a quem interessar possa.

Pílulas
O pesquisador Eugênio Fonseca abre uma luz que poderá iluminar a memória do futebol cearense. Além do Memofut, que o cronista Hilton Junior pretende retomar após a crise da Covid-19, há outras pessoas dedicadas à pesquisa.

Eugênio citou David Barbosa, Júlio Bovi Diogo e Rodolpho Pedro Stella Junior. Os quatro escreveram o livro “História do Futebol Cearense – 1915 -1985”. David é aqui de Fortaleza. Júlio e Rodolpho moram em São Paulo. 



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