Reinaldo Aleluia, o golaço que eu narrei
Leia a coluna do Tom Barros
Morreu quem fez a diferença no título de campeão cearense, conquistado pelo Vozão em 2006. Ceará e Fortaleza decidiram em dois jogos. No primeiro jogo, Aleluia leva a bola para a área do Leão. Aplica dois dribles mortais no adversário. Lança para o gol. Maizena se atrapalha. Juninho faz Ceará 1 a 0.
No segundo jogo, mais uma vez a participação importante de Reinaldo Aleluia. O Vozão arma um contra-ataque em alta velocidade. Quem puxa o contra-ataque é exatamente Reinaldo Aleluia. Dele o passe na medida para Vinícius. Aleluia se posiciona para receber. Vinícius prefere bater direto e faz Ceará 1 a 0.
Sim, cadê o golaço de Aleluia que eu narrei? Nesta homenagem póstuma, permitam-me fazer o somatório da contribuição de Aleluia, nos dois instantes mágicos e de rara beleza que deram o título ao Vozão. Certamente, Juninho e Vinícius não ficarão magoados, se eu lhes tirar 50% dos gols que marcaram nos jogos finais.
Assim, simbolicamente, entrego ao saudoso Aleluia 100% das glórias que ele, com sabedoria, transferiu aos autores dos gols. Os geniais dribles, antes do gol de Juninho, e o passe perfeito para o gol de Vinícius valeram como um golaço de Aleluia. Eu narrei.
Valorização
No futebol, há momentos nos quais quem serve é mais genial do que quem conclui. Assim o passe genial de Pelé para Carlos Alberto marcar o quarto gol do Brasil na vitória por 4 a 1 sobre a Itália na final da Copa do Mundo do México em 1970? É algo transcendental o desdém com que o “Rei”, sem olhar, toca na bola.
Os dribles
Ontem, revendo os lances, que eu mesmo narrei para a TV Diário, ampliei o valor dos dribles que Aleluia aplicou nos zagueiros do Fortaleza. Ele, de forma incisiva, desconcentrou toda a marcação adversária. Mais que o gol de Juninho, foram os dribles de Aleluia que encantaram. Sem os dribles teria sido apenas um gol comum.
Tempo da bola
No passe de Aleluia para o gol de Vinícius, quando da vitória (1 x 0) do Ceará sobre o Fortaleza no segundo jogo da decisão de 2006, há algo também muito especial. Com incrível leitura do jogo e impressionante rapidez de ação, Aleluia tira de tempo a defesa tricolor. A ligação foi perfeita. Outra vez Aleluia fez a diferença.
Golaços
Nos jogos finais, Reinaldo Aleluia não marcou gols. Mas dele foram os serviços que resultaram nas vitórias alvinegras. Detalhe: no transcorrer do Campeonato Cearense de 2006, em que Aleluia se sagrou campeão, há o registro de golaços que, com desenvoltura, ele marcou. Quem quiser pode conferir no Youtube.
Saudade
O tempo passa rápido. Lembro quando Reinaldo Aleluia esteve no Ceará em várias oportunidades. Ele gostava do Vozão. E, não raro, após encerrar a carreira, fez várias declarações de amor ao Ceará. Era simpático, comunicativo. Guardo dele boas recordações. Que Deus o tenha na Mansão Celeste.