Pochettino, mais um nome nos anais do Leão
Leia a coluna de Tom Barros
As glórias do futebol são movediças. Não raro, mudam de lugar. Assim, as portas do Pici abriram-se para mais um troféu. É o 47º título estadual. O primeiro foi em 1920. De lá até hoje, muitos ídolos. Ontem, Pochettino colocou seu nome na galeria dos heróis.
O saudoso comentarista Paulino Rocha, o campeão de audiência, costumava dizer que, em festa de título, mais que analisar o jogo, vale a comemoração. Então, sintetizo: o Ceará foi melhor no primeiro tempo; o Fortaleza melhor na fase final. O placar de 1 a 1 foi justo. Luizão fez o gol do Ceará. Luiz Fernando empatou.
Decisão por pênaltis faz heróis e vilões. É aquele instante em que o acerto e o erro estão separados por milímetros. Brenno, goleiro do Leão, pegou a cobrança de Juan Alano. Abriu o caminho para a vitória. Mas herói é o que define. Pochettino, predestinado, perfeito. Dele o gol da grande conquista.
Após dois anos, o Leão volta a ser campeão cearense. Agora, invicto, com muito mérito. É o primeiro sinal de um ano de retomadas. Combustível para seu maior objetivo: voltar à Série A nacional. Parabéns, Fortaleza.
Treinador
Thiago Carpini chegou ao Fortaleza em dezembro do ano passado. Ontem, conquistou seu primeiro título pelo Leão. Parabéns. Mas o seu maior desafio será ganhar uma vaga para o Tricolor de Aço na Série A de 2027. Por enquanto, é comemoração. Merecida comemoração.
Aprimoramento
Os campeonatos estaduais são importantes como passo inicial. O título estadual tem seu significado, sim, pelo valor histórico, pois remonta às origens de tudo. Mas não pode ficar restrito à tradição. Precisa de mudanças urgentes para maior valorização. Portanto, requer gradual aprimoramento.
Alerta
Terminado o Campeonato Cearense de 2026, já é tempo de pensar em uma nova fórmula. O atual modelo se exauriu. Os dirigentes dos clubes e da FCF estão acomodados em um mesmismo nefasto. Há necessidade de maior inclusão dos polos de desenvolvimento como Sobral e Juazeiro do Norte.
Limitações
Um campeonato concentrado somente em clubes da capital gera a impressão de um torneio municipal. A amplitude de um certame verdadeiramente estadual tem de abranger clubes de todas as regiões do Estado, principalmente do Cariri e da Região Norte.
Sem privilégios
Quando cito o Cariri e a Região Norte, não quero privilegiar Icasa, Guarani de Juazeiro ou Guarany de Sobral. Não é isso. Apenas lembro que Juazeiro do Norte e Sobral são centros de excelência em todos os segmentos. Não se admite, pois, uma retração no esporte, justamente onde visível é o progresso.