Os salários dos treinadores no Brasil e no exterior

Leia a coluna de Tom Barros

Legenda: Ancelotti será o novo técnico da seleção brasileira.
Foto: Oli SCARFF / AFP

Eu nunca tive interesse de saber o quanto alguém ganha por seu trabalho. O salário é algo muito pessoal, numa relação entre patrões e empregados. É da minha natureza pensar assim. E assim sempre me posicionei. Quando chega um novo companheiro, a mim pouco importa quanto vai ser o salário dele. Cuido da minha parte com a empresa onde trabalho. Mas respeito quem pensa diferente. No mundo do futebol, a imprensa escancara quanto vai ganhar fulano ou beltrano.

Os famosos têm suas vidas financeiras expostas nos mínimos detalhes. Sendo assim, quanto vai ganhar Ancelotti para comandar a Seleção Brasileira? Não sei. Não quero saber. Não vai acrescentar nada à minha vida especular sobre isso. Que ele saiba tirar o melhor proveito, desde que tudo seja feito de acordo com a legislação específica, ou seja, dentro dos trâmites legais. Sei que os bons treinadores têm salários bem significativos. A curiosidade humana é muito grande quando se trata de um assunto assim. O mesmo se pode dizer com relação aos jogadores. Há uma preocupação muito grande, máxime com os que ganham fortunas. Entretanto, não vejo matérias sobre os que ganham pouco. Por que será? 

Estrelas 

Entre os jogadores famosos, nem sempre a relação é boa, quando atuam no mesmo clube. Não raro, a inveja, porque um jogador chegou com um salário melhor, gera desconforto na convivência com os que foram passados para trás nas questões salariais. Nesta hora é preciso muito tato dos dirigentes.  

Adeus a um campeão 

Morreu o meu amigo, Ruy do Ceará, um dos maiores dirigentes da história do futebol cearense em todos os tempos. Conheci o Dr. Ruy, quando eu era repórter da Rádio Uirapuru, na década de 1960. Ele assumiu a direção de futebol do Ferroviário e revolucionou os métodos de montagem da equipe. Resultado: em 1968, o Ferrão sagrou-se campeão cearense invicto, com supremacia incontestável. 

Mais um título 

O modelo de gestão, implantado por Ruy do Ceará no departamento de futebol do Ferroviário, rendeu novo título estadual em 1970. Já naquela época, ele vislumbrava o que hoje está em voga: um clube com estrutura patrimonial (sede própria, alojamentos e campo de futebol) capaz de permitir a formação de seus próprios atletas. Aí está o complexo desportivo na Barra do Ceará.  

Terceiro título 

Ainda sob a direção de futebol do Dr. Ruy do Ceará, o Ferroviário alcançaria um terceiro título estadual, ou seja, o de campeão cearense de 1979. O coroamento de um trabalho perfeito. Como conselheiro coral, sua voz foi sempre escutada com muito respeito e acatamento, nos momentos mais delicados do clube. De forma simples e serena, o Dr. Ruy encaminhava todas as soluções. 

Lembrança 

Guardarei, do meu amigo Ruy do Ceará, as melhores recordações. Marcas de um homem que soube fazer da sensatez um lema. Assim no futebol, assim na Engenharia, assim em todos os segmentos que abraçou. Um ser humano exemplar, de elevada estatura moral. Paradigma de vida para todas as gerações. Meus sentimentos à família e, de modo especial, ao Dr. Ruy do Ceará Filho, diretor superintendente do SVM. Fica a saudade.  



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