O jeito cearense de fazer futebol
Leia a Coluna deste sábado (31)
O “Manjadinho” é resiliente. Segue firme, indiferente aos que lhe são contrários. Quem quiser que torça lá pelos times de fora. É democracia. Já vi torcedor aqui, usando camisa do Barcelona, do Real Madrid, do PSG... Qual o problema? É a globalização de um espetáculo que se chama futebol.
Respeito muito as novas gerações. Estão vivendo novos tempos. As emoções dos campeonatos europeus estão dentro de suas casas pelo milagre da tecnologia avançada. Não vou querer que sintam o que os mais antigos sentem. Os jovens não tiveram contato nem viram jogar Gildo, Mozart, Pacoti...
O Campeonato Cearense tem hoje, às 16:30, no PV, Fortaleza x Iguatu. E amanhã, às 18:00, no mesmo PV, Ceará x Horizonte. A tendência é o interesse do público crescer na medida em que houver o afunilamento. Continuo cultuando o que é nosso, de origem. Memórias afetivas.
Entendo perfeitamente o atual momento. O torcedor tem um leque de ofertas com campeonatos de toda ordem. O “Manjadinho” está aí. Tem o que nenhum outro tem: a marca de ter sido gênesis de tudo.
Comparação
A meu juízo, comete grave equívoco quem optar por análises comparativas entre os certames estaduais e os demais certames. Ora, cada um dentro do seu quadrado. Tudo tem de ser proporcional às disponibilidades financeiras. Herói é quem faz futebol em Quixadá e Iguatu.
Respeito
Tenho profunda admiração pelos dirigentes do futebol interiorano. São movidos pelo ideal. Só mesmo muito amor à causa. Lembro da luta de Luiz Torquato no Guarany de Sobral; de Fernando Holanda, Edson Costa e Valmir Araújo no Quixadá; de Kleber Lavor e Zacarias Silva no Icasa; de Eudi Assunção no Itapipoca... Bravos!
Diferente
Hoje, Ceará e Fortaleza estão em um patamar superior, já pelas cotas advindas dos direitos de transmissão pela televisão e pelas cotas pagas pelos patrocinadores. Há também a renda das bilheterias e as mensalidades pagas pelos sócios-torcedores. Um dinheiro garantido. Qual a receita dos clubes do interior?
Campeão
Como fazer campeão um clube do interior? É difícil. Mas os times interioranos seguem vivos. Isso é que eu admiro e aplaudo. Não têm a força do dinheiro, mas têm a força do ideal. É isso que traz o encanto do Campeonato Cearense. A vontade. O compromisso. A dignidade.
Início
A cada início do Campeonato Cearense renovo o compromisso de acompanhá-lo com o mesmo entusiasmo que eu tinha na década de 1960, época das minhas primeiras coberturas pelo rádio. E retorno, pela memória afetiva, à primeira visita que fiz ao PV, em 1956, quando eu tinha nove anos de idade. O “Manjadinho” é coisa nossa.