O inesquecível 'Canhão da Barra'

Leia a coluna do Tom Barros

Escrito por
Tom Barros producaodiario@svm.com.br
Legenda: A Vila Elzir Cabral é a sede do Ferroviário, na Barra do Ceará
Foto: Divulgação/Ferroviário

Nestes meus sessenta anos de vida profissional, vi muitos ídolos que marcaram a história do futebol. Um deles: Simplício, volante campeão cearense pelo Ferroviário em 1970. Ele tinha um dos mais potentes chutes do país. Os goleiros temiam e tremiam quando Simplício batia faltas ou pênaltis. 

Anteontem, Simplício morreu. Estava com 79 anos de idade. Morava na Paraíba. Deixou no Ferrão a marca de seu talento como um volante eficiente e exímio finalizador nos tiros longos, de fora da área. Não por acaso, ganhou o apelido de “Canhão da Barra”. E foi assim que marcou muitos gols. 

No time campeão cearense de 1970, ele foi titular absoluto. Uma das formações: Marcelino, Breno, Luiz Paes, Gomes e Louro; Simplício e Edmar; Mano, Paulo Veloso, Facó e Fernando Cônsul. Tive a felicidade de narrar muitos gols marcados por Simplício, um ídolo notável.  

No futebol cearense, conheci apenas dois jogadores que tiveram chutes potentes, comparáveis aos de Simplício: Mesquita, lateral-direito do Fortaleza na década de 1960, e Pio, que brilhou no Fortaleza (2015/16) e no Ceará (2017/18). 

Comparação 

Em 1970, Simplício teve o seu chute comparado ao do meia Rivellino, tricampeão mundial pela Seleção Brasileira na Copa do Mundo do México. O famoso narrador de televisão, Geraldo José de Almeida, apelidou Rivelino de “A Patada Atômica”. A rigor, não sei quem chutava mais forte, se Rivelino ou Simplício. 

Hexacampeão 

Simplício também se destacou no futebol paraibano. Foi herói no hexacampeonato conquistado pelo Campinense em 1965. O Campinense ganhou o certame estadual paraibano em 1960/61/62/63/64/65. Um feito fantástico, até hoje jamais alcançado por um outro clube no futebol da Paraíba. 

Ídolos 
 
Já que estamos falando em ídolos, no time coral campeão cearense de 1970, além do ídolo Simplício, havia outros ídolos: o goleiro Marcelino, o lateral-direito Louro e o centroavante Facó. No campeonato cearense de 1973, Marcelino alcançou o recorde de 1.295 minutos sem sofrer gols. Facó e Louros também foram ídolos no Fortaleza. Louro jogou no Corinthians de São Paulo. 

Pacoti 

Para os torcedores antigos, o maior ídolo do Ferroviário foi o centroavante Francisco Nunes Rodrigues, o Pacoti. Ele atuou no Ferrão em 1955, 1956 e 1957. O livro “Pacoti, o Homem Goal”, foi organizado por Edvardo Moraes (o Vavá), João Eudes Costa e Airton Almeida Monteiro. Um relato fiel sobre a vida do saudoso ídolo.  

Legado 

O volante Simplício Clemente de Souza Filho, o “Canhão da Barra”, deixou como exemplo a dedicação profissional, a decência, o respeito aos companheiros e adversários, o amor pelo clube e o elevado senso de responsabilidade. Seu corpo foi sepultado ontem, em Campina Grande. Ficam as eternas recordações. 

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