O Fortaleza e o desafio de sair da zona baixa
Leia a coluna de Tom Barros desta terça-feira (5)
Ainda não foi desta vez que o Fortaleza conseguiu se livrar do opróbrio de estar entre os quatro piores times do Brasil. O impacto é maior porque, no ano passado, o Leão estava exatamente na posição oposta, ou seja, entre os quatro melhores do país. Esta queda livre tem machucado a torcida tricolor.
A fase de transição é muito delicada porque envolve uma série de experiências que são feitas durante a própria disputa. Os ajustes são processados nos jogos porque mínimo é o tempo para treinar. Não se sabe qual o tempo necessário para alcançar a sintonia fina. Isso, de certo modo, incomoda demais.
Os temores aumentam, na medida em que se aproxima o fim da primeira volta (rodada 19ª). Tudo se torna mais difícil para quem não acumulou uma pontuação pelo menos razoável. Em 17 jogos, o Fortaleza somou apenas 15 pontos. Nem de longe lembra os bons tempos.
O Fortaleza tem um jogo a menos, pois ficou em aberto o que teria com o Atlético-MG pela 16ª rodada. Portanto, ainda pode somar seis pontos, sendo três já no sábado próximo diante do Botafogo no Castelão. Delicada situação.
Elogios
Repercute a boa estreia do goleiro Vinícius Silvestre no Fortaleza. Ele se mostrou muito seguro, não sentindo a pressão de jogar no estádio do Corinthians. Claro que Vinícius tinha a experiência do seu tempo no Palmeiras. Mas, de qualquer forma, uma estreia gera expectativa. Ele se deu muito bem.
Em alta
Quem está cada vez melhor é o zagueiro do Ceará, Willian Machado. Na vitória sobre o Cruzeiro (1 x 2), seu desempenho foi notável. Repetiu o feito no empate (1 x 1) diante do Flamengo. Detalhe: não é nada fácil encarar o envolvente ataque flamenguista, sempre rápido e criativo. Willian Machado não perdeu sequer uma disputa.
O gol
O atacante Pedro Raul passa alguns jogos sem assinalar gols. O próprio atleta fica se cobrando. Mas, em compensação, há jogos importantes em que ele deixa a sua marca. Foi assim no empate (1 x 1), domingo passado, com o Flamengo. Seu gol, pelas circunstâncias, ganhou um significado muito maior.
Esperança
Complicou a vida coral a derrota (0 x 1) para o Asa de Arapiraca, no PV, jogo de ida da segunda fase da Série D nacional, fase eliminatória. O Asa precisa de um empate para eliminar o Ferrão. Mas não há certidão de óbito por antecipação. O Ferroviário pode reagir, sim. Não é hora de jogar a toalha.
Motivo
O Ferroviário perdeu um jogo em que foi melhor, máxime no primeiro tempo, quando desperdiçou três claras chances de gol. A fase final foi equilibrada. O Asa fez 1 x 0. Pela produção das equipes, é perfeitamente viável uma resposta coral. A meu juízo, o Ferrão tem boas possibilidades de dar o troco.