O dia em que o Ceará despachou o Palmeiras

Leia a Coluna desta sexta-feira (11)

Escrito por
Tom Barros tom.barros
(Atualizado às 14:37)
Legenda: Em 1994, o Ceará eliminou o Palmeiras da era Parmalat comandado por Vanderlei Luxemburgo, em São Paulo
Foto: Airton Bezerra/SVM

Quando houve o sorteio, que definiu a próxima rodada da Copa do Brasil, logo me chamou a atenção o desafio do Ceará: o poderoso Palmeiras. De imediato, a minha memória afetiva levou-me ao antigo Estádio Palestra Itália, em São Paulo. Ano de 1994. O Palmeiras estava arrasador, mas o Ceará despachou o Verdão lá mesmo. 

Hoje o cenário é diferente. No lugar do Estádio Palestra Itália, ergueu-se o monumental Allianz Parque. Mas, quanto à equipe, não sei qual a mais poderosa, se a de 1994, sob o comando de Vanderlei Luxemburgo, ou se a de agora, sob o comando de Abel Ferreira.  

No Palmeiras da época, cinco jogadores da Seleção Brasileira: Cleber, Roberto Carlos, César Sampaio, Amaral e Evair. O Palmeiras era campeão brasileiro de 1993 e acabara de conquistar o bicampeonato paulista (1993/1994). Portanto, estava voando. E era franco favorito diante do Ceará.  

No primeiro jogo, no Castelão, houve empate sem gols (0 x 0). Pelo regulamento da Copa do Brasil naquele ano, se, no jogo de volta, houvesse empate com gols, o Ceará estaria classificado. Foi o que aconteceu. 

 

Narração 

 

Eu e o saudoso comentarista, Sérgio Pinheiro, fomos cobrir o jogo no Estádio Palestra Itália. A torcida do Verdão estava certa da vitória. A cabine ficava perto do público. Quando citei nome do lateral-esquerdo do Ceará, Claudemésio, um torcedor, olhando para a cabine, disparou: “Time que tem Claudemésio vai para lugar nenhum”. 

 

Bola rolando 

 

O técnico do Ceará, Dimas Filgueiras, havia dito na preleção: “Se fizermos o primeiro gol, vamos fechar tudo e segurar o placar”. Foi o que aconteceu: Jaime fez Ceará 1 a 0. O Palmeiras subiu todo. Ainda no primeiro tempo, um bombardeio palmeirense. Evair, de pênalti, empatou. 

 

Segundo tempo 

 

O Palmeiras apertou. Subiu todo mundo. Fez pressão. O Ceará todo atrás. Novo pênalti para o Palmeiras. Novamente Evair na cobrança. Desta vez, o goleiro Chico defendeu. O bombardeio continuou. Chico, grande destaque do jogo, pegou tudo e mais alguma coisa. Fim de jogo (1 x 1). Ceará classificado. O Verdão eliminado. Surpresa geral. 

 

O torcedor 

 

Quando o árbitro encerrou o jogo, vi aquele torcedor que tinha dito: “Time que tem Claudemésio vai para lugar nenhum.” Aí falei bem alto no microfone: Time que tem Claudemésio elimina o Palmeiras dentro do Estádio Palestra Itália. O torcedor olhou para a cabine e deu um cotoco na minha direção. Sorri. 

 

Inesquecível 

 

Foi um jogo inesquecível. O Ceará jogou com Chico, Jaime, Airton, Victor Hugo e Cluademésio; Mastrillo, Ivanildo e Elói; Catatau (Da Silva), Jerônimo (Miltinho) e Sérgio Alves. O Palmeiras com Gato Fernández, Cláudio, Tonhão, Cléber e Roberto Carlos; César Sampaio, Amaral e Jean Carlo; Macula (Sorato), Evair e Maurílio.  

 

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