O Brasil e a velocidade no futebol
Leia a Coluna desta segunda-feira (14)
A Copa do Mundo de Clubes terminou. Mais uma vez, os europeus dominaram a situação. Restou a prova inequívoca de uma superioridade que se estabeleceu desde 2013. O último time brasileiro campeão do mundo foi o Corinthians, em 2012. Depois disso, apenas insucessos.
Há, no Brasil, uma espécie de aceitação diante da situação existente. Todos ficaram felizes porque o Fluminense chegou às semifinais. E realmente foi uma ótima campanha. Mas, há alguns anos, os brasileiros não aceitavam sequer um vice-campeonato.
Os jogadores brasileiros vice-campeões mundiais na Copa do Mundo de seleções de 1950, realizada no Brasil, foram amaldiçoados pelo resto de suas vidas. Amaldiçoados e humilhados em lugares públicos e privados. Tudo isso porque ficaram em segundo lugar.
Agora é hora de refletir sobre o que mudar. É correto seguir tentando imitar o padrão europeu, na força física e na velocidade, ou seria melhor voltar às origens, com o futebol de toques e improvisações?
História
O Brasil ganhou o mundo com o seu estilo de jogo, baseado em toques refinados e talentos individuais incomparáveis. Aí se estabelecia a diferença. Assim a Canarinho foi campeã mundial na Suécia em 1958 e bicampeã mundial no Chile em 1962.
Mudança
Os europeus, diante da superioridade brasileira, resolveram apostar na velocidade e força física, reduzindo os espaços, com o objetivo de neutralizar o incomparável talento brasileiro. E conseguiram na Copa de 1966. O veterano time do Brasil, em 1966, perdeu para a velocidade da Hungria e de Portugal. Foi eliminado precocemente.
Retomada
O talento brasileiro foi renovado. E, com a renovação, voltou a se impor na Copa de 1970. Não uma seleção de velocidade ou força física, mas uma seleção de toques envolventes, de muita arte, dribles e improvisações. Deu um baile que o planeta até hoje jamais viu algo semelhante.
Tic-Tac
Inspirados no Brasil de 1970, os espanhóis criaram o tic-tac. Um futebol de passes curtos, onde predominava a posse de bola. Tal domínio impedia que os adversários pusessem em prática seus modelos de velocidade. E assim a Espanha foi campeã da Eurocopa 2008, campeã do mundo de 2010 e campeã da Eurocopa de 2012.
Opção
Cabe ao Brasil buscar um meio-termo: voltar ao seu toque de bola incomparável e envolvente, permeado de improvisações. Ser um pouco mais rápido, mas dando prioridade ao toque de bola. Assim, neutralizaria o que os europeus têm de melhor: a velocidade e a força física.