No futebol, árbitro, médico e ditador

Leia a Coluna desta quarta-feira (30)

Escrito por
Tom Barros tom.barros@svm.com.br
Legenda: O goleiro do Vasco, Léo Jardim, foi expulso em jogo contra o Inter por 'cera'
Foto: Dikran Sahagian/Vasco

A expulsão do goleiro do Vasco da Gama, Léo Jardim, acusado de fazer cera, tem gerado amplo debate. Na interpretação do árbitro Flávio Rodrigues de Souza (SP), Jardim estava ganhando tempo, visando a garantir a vitória sobre o Inter no Beira-Rio. Jardim já havia recebido o primeiro amarelo pelo mesmo motivo. 

A polêmica surgiu pelo fato de o goleiro, sentado junto à trave, ter alegado que estava sentindo dores. O árbitro não aceitou a argumentação e, de imediato, aplicou-lhe o segundo cartão amarelo. Resultado: Jardim foi expulso. Ora, como o árbitro pode saber se o goleiro estava ou não sentindo dores? 

A avaliação é subjetiva. Nem o médico pode dizer se alguém está ou não sentindo dor. E se for verdade o argumento do jogador? Como reparar uma punição injusta? Afinal, prejudicados com a decisão ficam o atleta e o clube. O assunto é sério. Deve ser debatido e levado em consideração. 

Daqui para frente será preciso muito cuidado. Os árbitros, com tendências ditatoriais, poderão abusar de suas prerrogativas, passando a decidir também sobre dores, contusões, lesões, fraturas e tudo mais...   

 

Prudência 

 

Admiro o árbitro moderado, que age com bom senso. Não gosto do árbitro arrogante, que tenta intimidar os atletas. Há os que tentam se impor pela força e pela ameaça. Há os que se impõem pela competência. Perigosos são os impulsivos. O árbitro Flávio Rodrigues, na minha avaliação, agiu com impulsividade. Errou. 

 

Perigosos 

 

Os árbitros impulsivos são muito perigosos porque cometem precipitações. Flávio Rodrigues já estava irritado com a cera de Léo Jardim. Por esse motivo, já lhe havia aplicado um cartão amarelo. Por impulso, irritado com o que entendeu ser uma nova cera, expulsou Jardim. E se verdade as dores? 

 

Atitude 

 

Correto teria sido ordenar o atendimento médico ao atleta, mas explicando que os acréscimos seriam ampliados na exata medida da demora. Acontece que ele considerou a suposta nova cera uma afronta à sua autoridade. Irritado, não quis saber se a dor era real. Autoritário e impulsivo, agiu como ditador. Faltou bom senso.  

 

Moderados 

 

Os árbitros moderados sabem decidir melhor, principalmente nas situações mais complexas. Avaliam bem a posição a ser tomada. Os árbitros vaidosos acham que a sua autoridade está acima do bem e do mal. E que podem tudo. Querem aparecer mais que os atletas. Assim se perdem. São bobinhos. 

 

Exemplo 

 

Conheci muitos árbitros bons. Cito o alagoano Manoel Amaro de Lima. Em 1969, no Maracanã, ele apitou Vasco 0 x 1 Santos, jogo no qual Pelé marcou seu milésimo gol. Mas foi aqui, no PV, que vi algo fantástico: após apitar um clássico Ceará x Fortaleza, Manoel Amaro deixou o estádio, aplaudido, de pé, pelas duas torcidas.    

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