Lições da desastrosa estreia
Leia a coluna desta segunda-feira (23)
O futebol cearense passou vários anos, de forma consecutiva, na elite nacional. Foram cinco anos com o Ceará (de 2018 a 2022) e sete anos com o Fortaleza (de 2019 a 2025). Todos se acostumaram aos desafios diante dos maiores times do país, como Flamengo, Palmeiras, Botafogo, São Paulo...
Agora, na estreia pela Série B, Ceará e Fortaleza tropeçaram diante de equipes do interior de São Paulo. Pior ainda: o Fortaleza sofreu uma goleada (4 x 0) do Botafogo de Ribeirão Preto e o Ceará, em casa, ficou no empate com o São Bernardo. Mudança de status prejudicou muito.
Na rodada de sábado, as equipes cearenses, em nenhum momento, mostraram-se superiores. Pelo contrário, o Fortaleza sofreu uma goleada e tomou um baile do Botafogo-SP. E o Ceará deu prosseguimento à modesta apresentação que já fizera diante do mesmo São Bernardo em São Paulo.
Que lições podemos tirar da desastrosa estreia? A principal delas: acordar urgente para a nova realidade. Não permitir a acomodação que busca resultados paliativos. Aplicar urgente tratamento de choque.
Recomeço
Não é fácil começar novamente tudo do zero. A fase de transição é delicada. O time perde o status. A receita é reduzida. O jogador só aceita jogar na Série B se não tiver mercado na Série A. Da mesma forma com relação aos treinadores. Haja paciência. A pressão da torcida aumenta.
Vaias
A torcida do Ceará já deu o recado: vaiou a equipe no final do empate (1 x 1) com o São Bernardo. Não aquela vaia tímida de um desabafo, mas a estrondosa vaia que ecoou em Porangabussu como um recado direto ao alto comando alvinegro. Vai haver pressão o ano todo.
Humilhação
Pior ainda no caso do Fortaleza. O time, que encarava no mesmo nível os grandes times do país, agora sofre humilhante derrota para o Botafogo de Ribeirão Preto, equipe que foi apenas a décima colocada, eliminada logo na primeira fase do certame paulista.
Explicações
O treinador do Ceará, Mozart, foi sucinto ao falar sobre o empate diante do São Bernardo. Gostou da produção da equipe e da parte criativa do grupo. Lamentou as oportunidades perdidas. Afirmou que o time vai evoluir. Deus queira. E que a evolução seja rápida, pois a sequência de jogos segue ritmo frenético.
Defesa do grupo
Entendi a posição do técnico Thiago Carpini, que defendeu o grupo após a humilhante derrota para o Botafogo. Disse que os jogadores têm vergonha na cara, sim. E assumiu a culpa pelo fracasso. Thiago agiu certo. Não há motivo para pânico. Mas uma chamada geral, forte e contundente, será necessária.