'Gramado sintético' não é gramado

Leia a coluna de Tom Barros desta quarta-feira (17)

Escrito por
Tom Barros producaodiario@svm.com.br
(Atualizado às 09:58)
Legenda: Gramado sintético do Nilton Santos
Foto: Vítor Silva/Botafogo

Estou entre os que preferem a relva natural. O cheirinho de mato. A grama que é produzida pela própria natureza. Foi assim que, na década de 1950, vi o gramado do velho Estádio Presidente Vargas. Vivo, tratado com carinho. Cuidado como os bons jardineiros cuidam dos jardins.

O Castelão, inaugurado em novembro de 1973, tinha um gramado perfeito. Dividia com o Estádio Serra Dourada, inaugurado em 1975, as honras de melhor gramado do Brasil. Quem cuidava do gramado do Castelão era um senhor chamado Manoel. Especialista nisso.

A modernidade criou o “gramado sintético”. Não é gramado: é piso sintético. É um produto da indústria que tenta imitar a grama natural. É parecido. Mas não é a mesma coisa. Por mais que tenha sido aprimorado, não alcançou a semelhança ideal. Por isso mesmo, o protesto de muitos jogadores.

Conheci alguns estádios que usam o piso sintético. Confesso: não gostei nem um pouco. Minha inclinação continua a favor do gramado natural, da relva com cheirinho de mato. Gramado vivo.

Gramado natural

A FIFA, para a Copa do Mundo de 2026, adotou o gramado natural padrão para todos os estádios que serão palco dos jogos oficiais. Dimensões: 105 metros de comprimento por 68 metros de largura. Graças a Deus foram vencidos os que queriam o piso sintético.

Ainda bem

Há alguns anos, surgiram propostas para a colocação de piso sintético no PV. Houve amplo debate. Os que queriam a mudança alegavam que, em uma região sujeita a secas como o Nordeste, o piso sintético seria ideal, já pela economia de água. Mesmo assim o argumento foi vencido. Ainda bem.

Água

O PV mantém a tradição da grama natural padrão. Está sendo utilizada até hoje, como nos velhos tempos da década de 1950, quando lá estive pela primeira vez. Respeito os que defendem o uso do piso sintético. É a modernidade. Mas nada é melhor do que a grama natural, relva viva, com cheirinho de mato.

Híbrido

Há elogios ao modelo híbrido, adotado em alguns estádios brasileiros. Como o próprio nome sugere, tal tipo é composto por grama natural e por fibra sintética. Segundo especialistas, o avanço tecnológico permitiu que tal fusão ofereça um piso de alta qualidade. Ainda assim, o gramado natural, sem mistura, é melhor.

Filósofo

Agora lembrei do filósofo do futebol, Neném Prancha, que dizia: “Bola tem que ser rasteira porque o couro vem da vaca e a vaca gosta de grama”. Na época a bola era feita de couro. Hoje, a bola é fabricada com materiais sintéticos (poliuretano, PVC e poliéster).

Assuntos Relacionados