Está faltando ídolos no futebol cearense
Leia a Coluna deste sábado (26)
Há uma carência que tem incomodado os torcedores mais exigentes: a ausência de ídolos. Por mais incrível que pareça, os mais recentes não foram jogadores, mas treinadores: Rogério Ceni e Juan Pablo Vojvoda. O craque mesmo, que encanta, está em falta por aqui.
A minha memória não é boa. Pode ser que eu cometa algumas injustiças. Pelo Fortaleza, o ídolo mais recente foi Clodoaldo, o Baixinho bom de bola. Ele foi soberano de 1999 a 2005. Craque. Jogador de qualidades excepcionais. Para mim, depois de Mozart Gomes, Clodoaldo foi o melhor.
No Ceará, Sérgio Alves e Magno Alves foram os mais recentes. Mas o maior de todos foi Gildo Fernandes de Oliveira. O maior artilheiro do Ceará em todos os tempos, com 262 gols pelo Vozão, em 445 jogos. Lamentei um detalhe: quando ele ia ser contratado pelo Corinthians, sofreu séria contusão. Até hoje é reverenciado em Porangabuçu.
Ídolo é aquele jogador que, pelo seu talento, torna-se amado pelas multidões. É o jogador pelo qual o torcedor sai de casa apenas para vê-lo em ação. Hoje, no futebol cearense está faltando um ídolo assim.
Goleiro
Goleiro para ser ídolo tem de ser bom demais. Pois o meu primeiro ídolo no futebol foi um goleiro: Ivan Roriz, carinhosamente também chamado de Ivan Boião. Eu o vi em ação pela primeira vez em 1956. Muitas vezes fui ao PV apenas para vê-lo no gol do Ceará Sporting Clube.
No momento
Há bons jogadores no futebol cearense. Mas não há nenhum ídolo, ou seja, aquele que faz a diferença. Além disso, para ser ídolo, o jogador tem de ter também fusão de imagem com o clube. Roberto Dinamite e o Vasco foram um exemplo. Zico e o Flamengo, idem.
Rotatividade
Um fator, que vem impossibilitando a fusão de imagens entre jogador e clube, é a alta rotatividade de hoje. É tanta mudança de camisa que a transitoriedade não fixa a imagem de um craque com alguma agremiação. Há algumas décadas, o jogador passava dez anos em uma só equipe. Nos tempos atuais, isso é quase impossível.
Jogo
Hoje, às 18:30, no Castelão, Fortaleza x Bragantino. Será o segundo jogo do Leão sob o comando de Renato Paiva. Ótimo momento para avaliação. Será importante observar se houve alguma mudança no perfil de atuação do time. Renato teve uma semana para os ajustes de linha.
Posição
O Bragantino é o quarto colocado, mas é preciso registrar um detalhe: o time tem dois jogos a mais que o Botafogo (5º) e que o Bahia (6º). A propósito, o líder, Cruzeiro, também tem um jogo a mais que o Flamengo, vice-líder. E tem dois jogos a mais que o Palmeiras, terceiro colocado. É um detalhe que tem de ser levado em consideração.