Esperanças nas bases alvinegras e tricolores

Leia a coluna de Tom Barros

Escrito por
Tom Barros jogada@svm.com.br
Legenda: Taça do Campeonato Cearense.
Foto: Foto: Pedro Chaves/FCF

É fato que o futebol cearense entrou em grave crise no final do ano passado, quando Ceará e Fortaleza despencaram juntos para a segunda divisão. Quem queiram, quer não, a Série B está muito abaixo do nível desejado pelos que já foram da elite. É carne de pescoço depois do filé mignon.

Por motivos diversos, nossos principais representantes tiveram de usar jovens das bases neste início do Campeonato Cearense. E, de certo modo, eles corresponderam. Trouxeram a esperança de que poderemos ter um percentual significativo deles nas equipes principais.

É claro que não há como encarar a Série B apenas com os jovens. Mas eles podem dar efetiva contribuição, desde que seja feita a gradual participação, somando-se a juventude ao grupo mais calejado. Seria um retorno inteligente ao tempo em que o futebol cearense era celeiro, inclusive com o Torneio Intermunicipal.

As circunstâncias favorecem a uma tomada de posição assim. Jogador de Série A não quer vir para a Série B. Além disso, times da Série B não podem pagar salários de Série A. Então, tudo deve ser feito com inteligência e moderação.

Situação

Todo time, que cai para a Série B, tem dificuldade na reformulação. Os fatores são vários. Além da dificuldade de contratar, haja vista a preferência dos melhores pela Série A, há o problema da queda de receita. Os cofres ditam as possibilidades e os limites de gastos.

Série C

Por mais paradoxal que pareça, a Série C, que é inferior, também pode ajudar. Como? Há jovens que são utilizados e aparecem com bom futebol na terceira divisão. O monitoramento é fundamental. É nesta parte que o departamento de futebol pode fazer a diferença. Quem faz uma espécie de mapeamento chega primeiro.

Torneio

Nas décadas de 1950 e 1960, havia o Torneio Intermunicipal, promovido pela APCDEC - Associação Profissional dos Cronistas Desportivos do Estado do Ceará. Nas seleções do interior, muitos valores jovens foram descobertos nesse tipo de competição. Tal torneio não mais existe, mas não custa nada dar uma olhada nas praças interioranas.

Avaliação

Todo cuidado ao contratar jogadores que caminham para o ocaso. Às vezes, dá certo. Mas é preciso uma triagem muito rigorosa. Há profissionais veteranos que, mesmo na reta final da vida profissional, demonstram compromisso. Esses merecem ser contratados sim, mas formam uma exceção.

Conclusão

Ainda é cedo para uma avaliação do Campeonato Cearense. Apenas duas rodadas não permitem uma conclusão sobre o desempenho das equipes. Pena é que, numa competição tiro curto como a nossa, as coisas ficam maia claras apenas quando o certame entra na reta final. Houve um bom começo.  

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