Desafio e coragem do argentino Palermo
Leia a coluna de Tom Barros
Nem todo treinador encara a missão de dirigir um time vice-lanterna. E mais que isso: um time vice-lanterna, que está sob os fantasmas de uma possível desclassificação. Em outras palavras: um time prostrado, descrente, já pela crise que atingiu proporção inimaginável.
Palermo encarou. Veio. Está aí. Sabe a pressão que o espera. Ele terá de ser treinador, milagreiro, autor motivacional, psicólogo, líder nato, paizão, xerife e tudo o que for preciso para mudar a história que travou o Fortaleza numa inexplicável queda de produção.
Vem do mesmo berço de Vojvoda, terra do tango de Gardel, da política de Perón, da musa do tênis Gabriela Sabatini, dos campeões do mundo Maradona e Messi, do lendário pentacampeão de Fórmula-1 Juan Manuel Fangio. Portanto, um berço de vencedores.
Martín Palermo pode entrar para a história do clube, caso consiga livrar do rebaixamento o Fortaleza. É a sua árdua missão. Não custa nada buscar inspiração no compatriota Vojvoda. Se assim o fizer, estará no melhor caminho.
Avaliação
Martín Palermo terá a seu favor o tempo de pausa da Série A nacional em razão dos jogos da Seleção Brasileira pelas Eliminatórias Sul-Americanas. Mesmo assim, um tempo curto demais para quem precisa conhecer o elenco e processar os devidos ajustes.
Força
Mais que os ajustes, o Fortaleza precisará de coragem e coração, compromisso e lealdade, profissionalismo e fé. A partir de agora não será apenas a qualidade do futebol senão um conjunto de outros fatores como brio, vontade de vencer, dignidade e superação.
Luta
Martín Palermo começa a luta contra o tempo. Terá de concretizar a correção de rumo que nem Juan Pablo Vojvoda conseguiu dar. Promover as mudanças que Renato Paiva disse ter tentado, mas que não foram entendidas pelo elenco. Obterá êxito? Só Deus sabe.
Lembranças
Quer queiram, quer não, lembranças de Vojvoda entrarão em campo com Martín Palermo. São do mesmo país, da mesma escola. Apesar das diferenças, o argentino anterior ainda não saiu das mentes tricolores. E o que chega está sob as bênçãos do antecessor.
Conclusão
O Fortaleza vai para a última cartada na desesperada luta para livrar-se do temido e inaceitável rebaixamento. Se vai dar certo, só Deus sabe. É como digo e repito: toda contratação é uma operação de risco. Queira Deus que desta vez dê certo. Não há mais tempo para novos desenganos.