Ceará x Bahia – um clássico especial
Leia a Coluna desta quinta-feira (18)
As minhas lembranças afetivas estão muito ligadas ao clássico que envolve o alvinegro cearense e o tricolor de aço baiano. Em 1959, vi, entre ambos, a mais dura e difícil disputa de todos os tempos. Aconteceu na Taça Brasil (Campeonato Brasileiro da época). Foram três jogos e uma prorrogação para definir a classificação.
No primeiro jogo, no PV, Ceará 0 x 0 Bahia. No segundo jogo, na Fonte Nova, Bahia 2 x 2 Ceará. O regulamento da época determinava um jogo desempate, também na Fonte Nova. Deu novo empate (1 x 1) no tempo normal. Foram para a prorrogação. No último minuto da prorrogação, o Bahia ganhou (1 x 0).
Este time do Bahia, que deu duro para eliminar o Ceará, consagrou-se como o primeiro campeão brasileiro, derrotando o Santos, de Pelé, também em três jogos: na Vila Belmiro, vitória do Bahia (2 x 3). Na Fonte Nova, vitória do Santos (0 x 2). No jogo desempate, no Maracanã, Bahia 3 x 1 Santos. Bahia campeão.
De 1959 até hoje, muitos clássicos entre ambos já aconteceram. Vitórias e glórias de parte a parte. Mas jamais esqueci as emoções daqueles três jogos de 1959. Uma inefável lembrança afetiva.
Argentino
Um dado curioso nesta Taça Brasil de 1959. O primeiro técnico campeão brasileiro foi um argentino. Na decisão, no Maracanã, o Bahia foi comandado pelo técnico Carlos Martín Volante. Curiosidade: quando jogador, Carlos Volante foi massagista da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1938.
Curiosidade
Carlos Volante jogou na Itália e na França na década de 1930. Após a Copa de 1938, quando exerceu a função de massagista da Seleção Brasileira, veio atuar no Brasil, no Flamengo, de 1938 a 1943. Destacou-se tanto como meio-campista defensivo, que seu sobrenome, Volante, passou a denominar a própria posição de quem atua no setor.
Novo clássico
Agora, pela Série A nacional, vem aí mais um Ceará x Bahia. Será sábado, às 18:30 no Castelão. O Bahia faz bela campanha. É o quinto colocado. Mas andou passando por vexames. O pior deles, na 22ª rodada, quando foi goleado pelo Mirassol (5 x 1). Na rodada passada, em casa, na Fonte Nova, perdeu para o Cruzeiro (1 x 2).
Problemas
O Ceará (11º colocado) vem de um feito notável. Com um jogador a menos, reagiu e empatou com o Vasco da Gama em São Januário. Mas o técnico Léo Condé terá cinco desfalques diante do Bahia (Richardson, Fabiano, Rodriguinho, Marcos Victor e Matheus Bahia). Sério problema para Condé.
Prejuízo
A ausência de Matheus Bahia, a meu juízo, é de maior significação. Com ele na lateral-esquerda, o Vozão tem melhor e mais consciente apoio nas jogadas ofensivas, sem perder também a qualidade na marcação. Rogério Ceni, técnico do Bahia, sabe que não terá esse incômodo.