As perdoáveis falhas dos goleiros
Leia a coluna de Tom Barros
No futebol, se há um profissional discriminado, é o goleiro. O atacante pode perder várias chances de gol, mas terá outras para se redimir. O zagueiro pode falhar, mas ainda há tempo para os demais corrigirem. O goleiro, como última instância, não tem o direito de falhar.
Nos jogos recentes do Ceará e do Fortaleza, os goleiros cometeram falhas graves. Bruno Ferreira errou o passe na saída de bola. Resultado: deu de presente o gol que Kaio Jorge marcou. A vitória do Ceará, de virada (1 x 2) minimizou o erro que Bruno Ferreira cometeu.
O caso do jovem goleiro do Fortaleza, Magrão, que cometeu dois pênaltis nos primeiros 15 minutos de jogo diante do Grêmio, não permitiu a virada do Leão. Por isso mesmo, a repercussão foi maior. A derrota para o Grêmio foi creditada às suas falhas. Mas acho isso injusto. Ele também fez defesas importantes.
Na Copa do Mundo de Clubes, Weverton, goleiro do Palmeiras, sofreu um gol que gerou críticas. Ele teria falhado. Foi o gol da vitória (2 x 1) ao Chelsea, que eliminou o Verdão. Weverton teve de explicar o lance, mas poucos aceitaram a justificativa.
Compreensão
Em todos os casos citados, eu compreendo a situação do goleiro. E os perdoo pelas falhas cometidas. Não são perfeitos. Ora, se todos erram, por que os goleiros não teriam o direito de errar? Fazem muitas defesas difíceis, verdadeiros milagres, mas, quando sofrem um frango, são crucificados. Que injustiça!
Ingratidão
Segundo um ditado popular, no lugar onde o goleiro pisa nem grama nasce. Pura discriminação. Mas há os que procuram brincar com a situação. O saudoso apresentador, Sebastião Belmino, que também foi goleiro, dizia que o goleiro devia jogar de batina, pois assim não sofreria gol entre as pernas.
Bola e mulher
Neném Prancha, o filósofo do futebol, dizia: “O goleiro deve andar sempre com a bola. Se tiver mulher, dorme abraçado com as duas.” Antônio Franco de Oliveira, o Neném Prancha, foi imortalizado no livro “Assim Falou Neném Prancha”, escrito pelo cearense Jocelyn Brasil, e nas referências do famoso técnico e comentarista, João Saldanha.
Carinho
Tenho pelos goleiros a maior admiração e respeito. Tanto assim que meu primeiro ídolo não foi um atacante ou um fazedor de gols. Meu primeiro ídolo foi o goleiro Ivan Roriz, que brilhou no Ceará e na Seleção Cearense na década de 1950. Meu carinho especial pelos que exercem no futebol a difícil missão de goleiro.
Conclusão
Magrão, goleiro do Fortaleza, e Bruno Ferreira, goleiro do Ceará, não se deixem abater. Vocês fazem muitas defesas e milagres em cada jogo e, às vezes, nem são elogiados por isso. Basta um erro para sofrerem críticas pesadas. Ainda bem que foi criado o Dia do Goleiro (26 de abril). Uma reverência que nenhuma outra posição no futebol tem.